GeoIA combina imagens de drones e satélites para monitorar canaviais e prevê faturamento de R$ 8 milhões em 2026.
Da Redação

Uma startup criada em Mato Grosso do Sul está combinando imagens de satélite, drones e inteligência artificial para aumentar a precisão no monitoramento de plantas daninhas em canaviais e reduzir os custos com aplicação de insumos. A GeoIA, fundada em 2022 no ambiente de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), prevê faturar R$ 8 milhões em 2026.
A novidade está na utilização conjunta das informações captadas por drones e satélites. Enquanto o drone permite identificar com maior precisão a localização e as espécies encontradas em cada talhão, as imagens de satélite permitem acompanhar áreas maiores e observar mudanças ao longo do tempo.
Na prática, a inteligência artificial é treinada a partir das imagens de alta precisão obtidas pelos drones para interpretar imagens dos satélites Sentinel, que possuem pixels de aproximadamente 10 metros.
A partir desse cruzamento, o sistema gera um mapa de predominância capaz de estimar quanto de uma determinada área corresponde à cana-de-açúcar, plantas daninhas, solo exposto ou árvores.
Como as imagens de satélite são obtidas de maneira recorrente e com menor custo, a tecnologia permite acompanhar o histórico do canavial e identificar mudanças entre diferentes períodos, do plantio à colheita.
“Treinamos o modelo de satélite com imagens de drone para que ele reconheça padrões que a imagem orbital, isoladamente, não entrega. Isso nos permite quantificar a infestação por talhão, acompanhar sua evolução e apoiar as decisões de campo com histórico real de monitoramento, reduzindo o custo de produção”, explica Pedro Cavalcante, CEO da GeoIA.
Economia de insumos
A empresa também utiliza inteligência artificial para delimitar as áreas que precisam receber aplicação de defensivos, permitindo que o produto seja direcionado aos locais onde há presença de plantas daninhas.
Segundo dados da GeoIA, a pulverização localizada proporcionou economia de 82,29% em insumos na comparação com a classificação tradicional por recortes. A delimitação automatizada das áreas é feita com precisão centimétrica a partir das informações processadas pela tecnologia.
Além da redução dos custos, a aplicação localizada diminui o volume de produtos utilizado no campo, tornando a operação mais eficiente.
A adoção das ferramentas também vem ampliando a área processada pela empresa. Em 2026, o volume de hectares analisados cresceu 166% em relação ao ano anterior.
Entre os clientes estão grupos do setor sucroenergético como Raízen, São Martinho, Tereos e Adecoagro.
De MS para grandes usinas do país
Criada há quatro anos no ambiente de pesquisa da UFMS, a GeoIA afirma atualmente processar dados de oito das dez maiores usinas do Brasil.
A empresa já alcançou a marca de 4 milhões de hectares mapeados em área única. A incorporação das imagens de satélite amplia agora a escala do monitoramento, permitindo acompanhar de forma recorrente a evolução das lavouras.
Com a expansão da operação e a chegada das novas ferramentas, a expectativa da agtech sul-mato-grossense é encerrar 2026 com faturamento de R$ 8 milhões.





