Bio Energy Summit e Fórum de Geração Distribuída reuniram cerca de mil participantes em quatro dias de debates sobre biogás, biometano, etanol de milho e energia renovável.
Da Redação

Cerca de mil participantes e R$ 300 milhões em negócios. Esse foi o saldo do Bio Energy Summit 2026 e do 32º Fórum Regional de Geração Distribuída Centro-Oeste, realizados entre os dias 15 e 18 de setembro, em Campo Grande.
Organizados pelo Grupo FRG Mídias & Eventos, os encontros reuniram empresas, investidores e especialistas durante quatro dias para discutir a expansão das fontes renováveis e novas tecnologias para o setor energético no Centro-Oeste.
Entre os principais temas estiveram o aproveitamento de resíduos para produção de biogás e biometano e o avanço da geração distribuída. Mato Grosso do Sul já ultrapassou 2 GW de potência instalada, com aproximadamente 150 mil unidades geradoras distribuídas pelos 79 municípios. Cerca de 400 MW estão concentrados em Campo Grande.
Para Tiago Fraga, diretor do Grupo FRG e organizador dos eventos, os números demonstram que a transição energética começa a se transformar em investimentos na região.
“Reunir cerca de mil participantes e movimentar R$ 300 milhões em negócios demonstra que existe demanda, investimento e interesse em transformar o potencial energético de Mato Grosso do Sul em projetos concretos”, afirma.
Resíduos viram energia
Um dos potenciais apresentados durante o Bio Energy Summit está na suinocultura. Atualmente, 33 propriedades de Mato Grosso do Sul geram cerca de 13,4 milhões de kWh por ano a partir do biogás. O potencial estimado, no entanto, supera 70 milhões de kWh anuais.
O biometano também ganhou espaço nas discussões como alternativa ao diesel. Produzido a partir de resíduos da pecuária, frigoríficos, aterros e da indústria sucroenergética, o combustível pode abastecer caminhões e máquinas agrícolas, além de atender aplicações industriais e geração de energia.
Mato Grosso do Sul já recebe investimentos nessa área. Em Nova Alvorada do Sul, um projeto de aproximadamente R$ 350 milhões prevê a implantação de uma planta de biometano ligada à indústria sucroenergética.
Outro mercado em expansão é o etanol de milho. Dos cerca de 5 bilhões de litros de etanol já produzidos no Estado, 44% tiveram o milho como matéria-prima. Mato Grosso do Sul possui unidades industriais em municípios como Dourados, Sidrolândia e Maracaju e novos projetos estão em desenvolvimento.
Entre eles está uma planta de mais de R$ 1 bilhão em Nova Alvorada do Sul, projetada para produzir 273 milhões de litros por ano, além de um investimento de R$ 300 milhões em Jaraguari, com capacidade prevista de 200 milhões de litros anuais.
Tecnologia promete reduzir custo industrial
Durante o evento, empresas também apresentaram soluções para transformar resíduos em redução de custos. A Bazico Tecnologia mostrou uma tecnologia que permite utilizar biogás diretamente em caldeiras para geração de vapor, sem a necessidade do tratamento convencional do combustível.
Segundo o CEO da empresa, Lytton Medrado, atualmente as indústrias gastam entre R$ 110 e R$ 130 para produzir uma tonelada de vapor. Com a utilização da tecnologia apresentada, o custo poderia cair para uma faixa entre R$ 45 e R$ 55.
“Estamos falando de algo em torno de R$ 45 a R$ 55, utilizando um resíduo que antes era um passivo ambiental”, explica.
Nos dois últimos dias de programação, o Fórum Regional de Geração Distribuída ampliou os debates para energia solar, armazenamento, regulamentação, financiamento e segurança das instalações.
Para o gerente de Marketing da Northern Electric Power (NEP), João Beck, a força do agronegócio e de outras atividades econômicas torna o Centro-Oeste um mercado relevante para novas tecnologias de geração de energia.
“É uma região muito forte pelo agro e por outras frentes. Trouxemos tecnologias relevantes, inclusive relacionadas às normas de segurança, e mostramos como fazer a instalação e aplicar essas soluções no mercado”, afirma.
Os eventos tiveram apoio oficial do Crea-MS, WCA e Biosul e reuniram empresas e instituições ligadas aos setores de energia, engenharia, indústria e desenvolvimento regional.





