23/09/2026 18:59

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Deserto cortado pela Rota Bioceânica ganha cores com floração no Chile

Fenômeno pode ser um dos mais abundantes das últimas três décadas e transforma áreas do Atacama durante a primavera.

Da Redação

Deserto Florido transforma a paisagem do norte do Chile; temporada de 2026 pode ser uma das mais abundantes das últimas três décadas (Foto: Redes Sociais).

Conhecido pela paisagem árida e por estar em uma das regiões mais secas do planeta, o Deserto do Atacama ganhou cores neste mês de setembro com o avanço de uma nova temporada do chamado Deserto Florido. O fenômeno ocorre no norte do Chile, país que será a porta de saída da Rota Bioceânica para o Oceano Pacífico.

O corredor, que começa em Campo Grande, atravessa Paraguai e Argentina e chega aos portos do norte chileno, tem mais de 2,4 mil quilômetros. No Chile, parte do trajeto corta o Deserto do Atacama pela Região de Antofagasta, passando pelo eixo entre Paso Jama, San Pedro de Atacama e Calama.

A transformação da paisagem neste ano, porém, alcança uma área muito maior do norte chileno. Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente do Chile, o Deserto Florido de 2026 pode registrar uma das florações mais abundantes das últimas três décadas, com manifestações entre Antofagasta e Coquimbo.

As condições foram favorecidas pelas chuvas registradas durante o inverno. Entre setembro e dezembro, espécies conhecidas no Chile como patas de guanaco, suspiros, flores del jote e celestinas, entre outras, passam a ocupar áreas que durante boa parte do ano apresentam uma paisagem predominantemente desértica.

Na Região de Atacama, a expectativa é de que o fenômeno alcance as três províncias: Chañaral, Copiapó e Huasco. A projeção é diferente do observado em 2025, quando a floração ficou concentrada principalmente na província de Huasco.

O Governo Regional de Atacama estima que a temporada alcance maior extensão a partir de setembro e chegue ao período de maior diversidade e abundância em meados de outubro. A floração pode se estender de Caldera até Freirina.

A dimensão do fenômeno também pode ser medida pela biodiversidade. A expectativa é de que mais de 200 espécies vegetais diferentes apareçam durante a temporada, formando um ecossistema que também envolve insetos, polinizadores e vertebrados.

O Ministério do Meio Ambiente acompanha o fenômeno por meio da campanha Monitoreo del Desierto Florido 2026, realizada pelo iNaturalist Chile. Pouco mais de um mês após o início do projeto, já haviam sido registradas quase 3 mil observações de mais de 650 espécies.

No caminho da Rota Bioceânica

Embora as áreas de maior floração não coincidam necessariamente com o traçado do corredor, a Rota Bioceânica atravessa o mesmo grande ambiente desértico no norte do Chile.

Floração registrada em 13 de setembro em Llanos del Challe, na província de Huasco — Foto: Gaston Carvallo B./iNaturalist (CC BY 4.0).

Em território chileno, a infraestrutura do corredor inclui a Ruta 27-CH, entre Paso Jama e San Pedro de Atacama, e a Ruta 23-CH, no trecho entre San Pedro de Atacama e Calama. A partir daí, a rede rodoviária segue em direção aos portos do Pacífico.

O governo chileno já iniciou, inclusive, a instalação de sinalização específica da Rota Bioceânica na Região de Antofagasta e prevê investimentos na melhoria das rodovias que integram o corredor.

A ligação tem relação direta com Mato Grosso do Sul. O plano oficial chileno estabelece Campo Grande como ponto inicial do corredor no Brasil e os portos de Antofagasta, Mejillones e Iquique como destinos no Pacífico.

Fenômeno impulsiona turismo

Com o avanço das flores, o governo chileno também se prepara para receber visitantes. Na Região de Atacama foram definidos pontos de observação em áreas como a costa de Freirina e Huasco, o Parque Nacional Llanos de Challe, o Parque Nacional Desierto Florido e o setor de Travesía, em Copiapó.

As autoridades orientam os turistas a circular somente por estradas e trilhas habilitadas, não pisar nas plantas, não retirar flores, sementes ou bulbos e evitar qualquer interferência sobre a fauna.

Entre os locais onde a floração já pode ser observada está Llanos del Challe, na província de Huasco. Foi nessa região que o fotógrafo Gaston Carvallo B. registrou, em 13 de setembro, uma das espécies que surgiram nesta temporada, mostrando de perto a transformação que ocorre todos os anos em que as condições de chuva permitem ao deserto voltar a florescer.

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