No Dia Mundial de Combate ao Estresse, psicóloga do Humap-UFMS chama atenção para sinais de sobrecarga e importância do descanso.
Da Redação

A pressão no trabalho, as preocupações financeiras, as responsabilidades familiares e a dificuldade de se desconectar têm levado muitas pessoas a conviver diariamente com o estresse. O problema é quando essa condição passa a ser encarada como algo normal e os sinais de sobrecarga começam a ser ignorados.
Neste 23 de setembro, Dia Mundial de Combate ao Estresse, o alerta é justamente para os impactos que uma rotina de pressão constante pode provocar na saúde e na qualidade de vida.
A psicóloga Organizacional e do Trabalho do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), Glaucia Mello Sanches, explica que a aceleração do ritmo de trabalho ajudou a transformar a disponibilidade permanente em algo aparentemente comum. “Responder mensagens do trabalho no sofá da sala virou métrica invisível de disponibilidade, confundindo a urgência real com outras demandas”, afirma.
Segundo a psicóloga, o estresse tem uma função biológica de alerta, mas pode se transformar em um problema crônico quando a pessoa perde o controle sobre a gestão do próprio tempo. Um dos sinais é a redução da capacidade de lidar com mudanças e imprevistos.
“Na prática, você identifica quem está vivendo no limite pela perda abrupta de flexibilidade cognitiva, reagindo com irritabilidade desproporcional a qualquer pequena mudança de plano”, explica.
Corpo também dá sinais
Os efeitos não ficam restritos ao aspecto emocional. Glaucia chama atenção para manifestações físicas associadas à sobrecarga, como queda da imunidade e alterações no sono.
Um exemplo é a chamada insônia de manutenção, quando a pessoa consegue dormir, mas desperta durante a madrugada e passa a pensar em problemas e demandas profissionais. A falta de descanso adequado pode alimentar um ciclo de cansaço e ansiedade que começa antes mesmo da jornada de trabalho.
A procura por ajuda profissional, segundo a psicóloga, torna-se especialmente importante quando as estratégias utilizadas para lidar com a pressão deixam de funcionar e nem mesmo as pausas são suficientes para recuperar a energia necessária para as atividades cotidianas.
Outro ponto destacado é que a responsabilidade pelo enfrentamento do problema não deve ficar exclusivamente com o trabalhador. “A prevenção real exige que o ambiente de trabalho assuma a responsabilidade e considere a carga imposta pelas suas próprias ferramentas e processos de trabalho”, afirma.
Nesse cenário, as lideranças também têm papel importante na organização de fluxos de trabalho viáveis, na identificação de situações capazes de provocar sobrecarga e na orientação dos trabalhadores quando houver necessidade de encaminhamento profissional.
Descanso não é luxo
O ambiente familiar também pode ajudar a identificar quando a rotina ultrapassou os limites. Segundo Glaucia, pessoas próximas muitas vezes percebem mudanças de comportamento e sinais de esgotamento que passam despercebidos por quem vive sob pressão constante.
Para reduzir a sobrecarga, uma das principais mudanças é recuperar o espaço destinado ao descanso. “Descansar não é luxo ou perda de tempo. É um pré-requisito biológico para a tomada de decisão”, destaca.
Entre as estratégias simples para o dia a dia está estabelecer limites para a conexão permanente, inclusive silenciando notificações desnecessárias fora dos momentos em que é preciso estar disponível.
Para a psicóloga, mais do que buscar momentos isolados de relaxamento, é necessário organizar uma rotina que permita descanso, autonomia e qualidade de vida, evitando que viver permanentemente sob pressão seja encarado como algo natural.





