Termômetro do Varejo mostra 8,4% do crédito das famílias com atraso superior a 90 dias; comércio também acumula perda de vagas no Estado.
Da Redação

O crédito continua avançando em Mato Grosso do Sul, mas em velocidade menor que no restante do país e acompanhado de um nível de inadimplência superior à média brasileira. Em julho, 8,4% do saldo de crédito das pessoas físicas no Estado estava com atraso superior a 90 dias, enquanto no Brasil a proporção era de 5,8%.
Entre as empresas, o cenário segue a mesma direção. A inadimplência bancária chegou a 4,4% em Mato Grosso do Sul, ante 3,3% na média nacional.
Os números integram a edição de setembro do Termômetro do Varejo, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), e mostram um ambiente de expansão do consumo, mas com sinais de pressão sobre a capacidade de pagamento de famílias e empresas.
A diferença é mais acentuada entre as pessoas físicas. A taxa de inadimplência de MS está 2,6 pontos percentuais acima da brasileira. Em termos proporcionais, o índice estadual é cerca de 45% superior ao nacional.
No crédito empresarial, a diferença é de 1,1 ponto percentual, com a inadimplência sul-mato-grossense aproximadamente 33% acima da registrada no país.
Crédito cresce, mas abaixo do ritmo do país
Ao mesmo tempo em que a inadimplência permanece elevada, há mais crédito em circulação.
O saldo das operações para pessoas físicas chegou a R$ 101,9 bilhões em julho, crescimento de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No Brasil, entretanto, a expansão foi quase duas vezes maior, de 10,8%.
Entre as empresas de Mato Grosso do Sul, o estoque de crédito ficou próximo de R$ 41,8 bilhões, com crescimento de 6,4% em 12 meses. Nacionalmente, a alta foi de 7,4%.
Somadas, as operações com pessoas físicas e empresas representam aproximadamente R$ 143,7 bilhões em crédito no Estado.
O saldo considera os recursos ainda em aberto, vencidos ou a vencer, de empréstimos e financiamentos realizados pelo Sistema Financeiro Nacional.
Os indicadores colocam o varejo diante de movimentos distintos. O aumento do crédito ajuda a sustentar consumo e investimentos, mas a inadimplência elevada pode reduzir a capacidade das famílias de assumir novos compromissos e influenciar as condições adotadas pelas instituições financeiras para novas concessões.
Vendas do varejo avançam 6,2%
Apesar da pressão do crédito, o desempenho das vendas apresenta um sinal positivo para o comércio sul-mato-grossense.
Entre janeiro e julho, o varejo ampliado cresceu 6,2% em Mato Grosso do Sul na comparação com o mesmo período de 2025. No comércio varejista, o avanço foi de 2,5%.
Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, os indicadores de crédito precisam ser observados em conjunto com o comportamento das vendas e da inflação.
“De janeiro a julho de 2026, as vendas do varejo ampliado cresceram 6,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O crescimento ficou bem acima do observado na média nacional e consolida a tendência de aceleração do ritmo de avanço das vendas no Estado”, afirma.
Outros indicadores da economia estadual apresentam comportamento positivo. As exportações cresceram 11,9%, enquanto a produção industrial avançou 3,8%. O setor de serviços, por outro lado, registra retração de 1,7%.
Comércio perde vagas mesmo com avanço das vendas
O mercado de trabalho adiciona outro sinal de cautela ao cenário. Mato Grosso do Sul criou 19.258 empregos formais entre janeiro e julho, mas o comércio seguiu na direção contrária e fechou 180 postos de trabalho no período. Somente em julho, foram eliminadas 80 vagas no setor.
A geração de empregos no Estado foi liderada pela construção, com saldo positivo de 7.222 postos, seguida pelos serviços, com 6.852.
Em Campo Grande, a diferença entre o desempenho geral da economia e o comércio é ainda maior. A Capital criou 3.299 empregos formais no acumulado do ano, enquanto o setor comercial eliminou 650 postos.
Em julho, especificamente, o comércio campo-grandense ficou próximo da estabilidade, com saldo positivo de quatro vagas.
Os números indicam que o crescimento das vendas ainda não se converteu em expansão do emprego no comércio. Enquanto o varejo ampliado acumula alta de 6,2% no Estado, o setor mantém saldo negativo de contratações nos sete primeiros meses do ano.
Inflação chega a 4,7% em Campo Grande
O Termômetro também acompanha o comportamento dos preços. O IPCA acumulado em 12 meses em Campo Grande chegou a 4,7%.
Em agosto, um dos movimentos que ajudaram a aliviar as despesas das famílias veio da energia elétrica residencial, que registrou queda de 6,2%.
A inflação é outro componente relevante para o varejo porque afeta diretamente o poder de compra. Em um ambiente de inadimplência elevada, o avanço dos preços pode ampliar o comprometimento da renda e reduzir o espaço disponível no orçamento para novas compras.





