Anuário da Educação Básica mostra que 4,2% dos alunos foram reprovados em 2025; índice é quase três vezes a média nacional e vem acompanhado de atraso escolar acima do restante do Centro-Oeste.
Da Redação

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com a maior taxa de reprovação do país nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, 4,2% dos estudantes dessa etapa foram reprovados no Estado, diante de uma média nacional de 1,5%.
A taxa sul-mato-grossense é 2,8 vezes a registrada no Brasil e quase duas vezes e meia a média do Centro-Oeste, de 1,7%.
Dentro da própria região, Mato Grosso do Sul também aparece distante dos demais estados. Mato Grosso teve reprovação de apenas 0,3% nos anos iniciais em 2025, Goiás, de 0,9%, e o Distrito Federal, de 3,1%. Assim, a taxa de MS é 14 vezes a registrada em Mato Grosso, a menor do Centro-Oeste.
Os números fazem parte da 13ª edição do Anuário, elaborado pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna. A publicação reúne séries históricas sobre acesso, trajetória, aprendizagem e infraestrutura da Educação Básica no país e nas unidades da Federação.
Apesar da posição de Mato Grosso do Sul na comparação nacional, a série histórica mostra uma melhora importante dentro do próprio Estado. Em 2015, a reprovação nos anos iniciais atingia 9,2% dos estudantes. Em dez anos, caiu para 4,2%, uma redução de 5 pontos percentuais, ou 54,3%.
O avanço, entretanto, não foi suficiente para aproximar MS do patamar alcançado pelo país. No mesmo período, a taxa brasileira caiu de 5,8% para 1,5%.
A aprovação dos alunos sul-mato-grossenses também aumentou, de 90,2% em 2015 para 95,6% em 2025. Ainda assim, ficou abaixo dos 98,3% registrados no Brasil e dos 98,2% do Centro-Oeste.
Os dados indicam, portanto, duas situações que precisam ser observadas simultaneamente: Mato Grosso do Sul melhorou seus indicadores de fluxo escolar na última década, mas continua atrás do país e dos demais estados do Centro-Oeste em indicadores importantes dos anos iniciais.
Atraso escolar é quase o dobro da média brasileira
A reprovação elevada aparece acompanhada por outro indicador de trajetória escolar. Em Mato Grosso do Sul, 13,1% dos alunos dos anos iniciais têm dois anos ou mais de atraso em relação à etapa esperada para a idade.
No Brasil, a chamada distorção idade-série atinge 6,6% dos estudantes. A média do Centro-Oeste também é de 6,6%. Na prática, a proporção encontrada em MS é praticamente o dobro das duas referências.
A comparação com os vizinhos amplia a diferença. Mato Grosso registra apenas 2,7% de distorção idade-série e Goiás, 5,6%. No Distrito Federal, são 7,5%.
Entre as 27 unidades da Federação, somente Amapá (15,8%), Acre (14,4%) e Roraima (13,8%) apresentam percentuais superiores aos 13,1% de Mato Grosso do Sul.
Também nesse indicador houve melhora na década. Em 2015, 17,2% dos alunos dos anos iniciais de MS estavam pelo menos dois anos atrasados. O percentual caiu 4,1 pontos em dez anos.
O problema é que o país avançou mais rapidamente. A distorção idade-série brasileira foi reduzida pela metade, de 13,2% em 2015 para 6,6% em 2025. Com isso, a distância entre MS e a média nacional, em vez de diminuir, passou de 4 para 6,5 pontos percentuais.
É importante ressaltar que os dados não permitem atribuir o atraso escolar exclusivamente à reprovação. A distorção idade-série pode estar associada a diferentes fatores da trajetória educacional e o Anuário, isoladamente, não estabelece relação causal entre os indicadores.
Tempo integral alcança só 8,3% nos anos iniciais
Outro ponto de atenção está na oferta de educação em tempo integral. Apenas 8,3% das matrículas dos anos iniciais do Ensino Fundamental em Mato Grosso do Sul estavam nessa modalidade em 2025.
A proporção é inferior à metade da média brasileira, de 17,6%, e também fica abaixo dos 10,4% do Centro-Oeste.
Nesse indicador, Mato Grosso do Sul não avançou na comparação com uma década atrás. Em 2015, as matrículas integrais representavam 9,9% do total nos anos iniciais. Em 2025, correspondiam a 8,3%, recuo de 1,6 ponto percentual.
Dentro do Centro-Oeste, Goiás tem 13,2% das matrículas em tempo integral; Distrito Federal, 9,7%; Mato Grosso, 7,8%; e Mato Grosso do Sul, 8,3%.
As diferenças entre os estados brasileiros são grandes. Piauí, por exemplo, chega a 46,7% das matrículas dos anos iniciais em período integral; Tocantins, a 44,3%; e Ceará, a 39,2%.
Acesso aos anos finais é destaque positivo
Se os indicadores dos anos iniciais revelam gargalos, os dados de acesso aos anos finais mostram uma evolução mais favorável.
Em 2025, 98,2% das crianças e jovens de 11 a 14 anos de Mato Grosso do Sul estavam matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental. O resultado supera ligeiramente a média brasileira, de 97,8%, e está praticamente alinhado aos 98,1% do Centro-Oeste.
A evolução em uma década foi expressiva. Em 2015, o indicador estava em 86,1% no Estado. O crescimento foi de 12,1 pontos percentuais.
Nesse caso, Mato Grosso do Sul passou de um resultado inferior à média nacional — que era de 87,5% em 2015 — para um percentual ligeiramente superior ao do país em 2025.
Reprovação também cai nos anos finais
Nos anos finais do Ensino Fundamental, Mato Grosso do Sul também conseguiu reduzir fortemente a reprovação ao longo da década.
A taxa passou de 14,6% em 2015 para 4,1% em 2025, queda de 10,5 pontos percentuais. O abandono recuou de 3,3% para 0,5%.
Ao mesmo tempo, a aprovação avançou de 82,1% para 95,4%.
Mesmo com a melhora, MS ainda registra reprovação superior à média brasileira, de 2,9%, e quase duas vezes a do Centro-Oeste, de 2,1%.
A comparação regional volta a mostrar diferenças importantes. Mato Grosso registra apenas 0,5% de reprovação nos anos finais e Goiás, 1,3%. No Distrito Federal, o índice é de 4,6%, acima dos 4,1% de Mato Grosso do Sul.
Conclusão do Fundamental avança 20 pontos em uma década
Um dos avanços mais expressivos de Mato Grosso do Sul aparece no percentual de jovens que conseguem concluir o Ensino Fundamental até os 16 anos.
Em 2015, 66,2% dos jovens sul-mato-grossenses dessa idade haviam concluído a etapa. Dez anos depois, o índice chegou a 86,2%, crescimento de 20 pontos percentuais.
A melhora foi maior, em pontos percentuais, que a observada no país. O Brasil avançou de 74,7% para 88,6% no mesmo período.
Com isso, MS reduziu consideravelmente a distância em relação à média nacional. Em 2015, estava 8,5 pontos percentuais atrás do Brasil. Em 2025, a diferença caiu para 2,4 pontos.
Na comparação regional, entretanto, Mato Grosso do Sul ainda apresenta o menor percentual. O Centro-Oeste alcança 91,9%, com Distrito Federal em 94,4%, Mato Grosso em 93,9% e Goiás em 92%.





