22/07/2026 17:07

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Venda de caminhões a biometano reforça avanço do combustível renovável

Negócio da Volkswagen acompanha expansão do mercado e favorece estados produtores como Mato Grosso do Sul

Da Redação

Constellation 26.280 a biometano foi desenvolvido para coleta de resíduos e pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ (Foto: Divulgação).

O avanço do biometano como alternativa ao diesel nas frotas pesadas ganhou um novo impulso com a venda de 56 caminhões movidos ao combustível renovável pela Volkswagen Caminhões e Ônibus para a Loga, empresa responsável pela coleta de resíduos em São Paulo. O negócio, um dos maiores já anunciados no segmento para coleta urbana, reflete a expansão de um mercado que coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com maior potencial de crescimento, impulsionado pela produção de biometano a partir da cana-de-açúcar, resíduos agropecuários e urbanos.

A adoção de caminhões movidos a biometano acompanha a rápida expansão da oferta do combustível no país. Levantamento da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) aponta que o Brasil já conta com 20 plantas autorizadas para comercialização e outros 50 projetos em fase de autorização, consolidando o biometano como um dos principais vetores da descarbonização do transporte pesado.

O crescimento também aparece nas projeções da entidade. Até 2032, a capacidade nacional de produção deverá saltar de 1,77 milhão para 8 milhões de metros cúbicos por dia, impulsionada principalmente pelos setores sucroenergético, agropecuário e de resíduos sólidos urbanos.

Economia circular ganha as ruas

A escolha da Loga evidencia um dos exemplos mais completos de economia circular. Empresas de coleta de resíduos estão entre as principais candidatas à adoção do biometano porque o próprio lixo urbano pode ser transformado em combustível para abastecer a frota responsável pela coleta.

Nesse modelo, resíduos orgânicos geram biogás durante a decomposição. Após o processo de purificação, o biogás se transforma em biometano, combustível com características semelhantes às do gás natural, mas produzido a partir de fontes renováveis.

Segundo a Volkswagen Caminhões e Ônibus, o Constellation 26.280 a biometano foi desenvolvido especificamente para operações de coleta de resíduos. O modelo passou por testes desde o segundo semestre de 2025 antes da confirmação da compra das 56 unidades.

“O Constellation a biometano demonstra, na prática, que é possível aliar alta performance operacional à redução significativa de emissões”, afirmou Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da montadora.

Desempenho semelhante ao diesel

Apesar de utilizar um combustível renovável, o caminhão mantém desempenho equivalente ao modelo diesel.

Entre os principais diferenciais estão:

  • autonomia de até 300 quilômetros;
  • capacidade para armazenar 240 metros cúbicos de gás (960 litros em tanques de aço carbono);
  • transmissão automática;
  • motor ciclo Otto;
  • menor emissão de ruído;
  • potencial de redução de até 90% das emissões de CO₂.

Segundo a Loga, a renovação da frota integra uma estratégia de ampliar gradualmente o uso de combustíveis limpos na coleta de resíduos da capital paulista.

MS reúne condições para liderar nova demanda

A expansão dos veículos movidos a biometano acompanha um movimento que já começa a ganhar força em Mato Grosso do Sul. O Estado concentra alguns dos maiores investimentos brasileiros em bioenergia e vem ampliando projetos voltados à produção de biometano a partir da vinhaça da cana-de-açúcar, dejetos da pecuária, suinocultura e resíduos sólidos urbanos.

Além do potencial agrícola, Mato Grosso do Sul também reúne grandes usinas sucroenergéticas, plantas industriais e projetos ligados à destinação de resíduos, criando condições favoráveis para ampliar tanto a produção quanto o consumo do combustível renovável.

Para especialistas do setor, a expansão da oferta de biometano tende a impulsionar também a demanda por caminhões, ônibus e máquinas movidos a gás renovável, fortalecendo uma cadeia que combina redução de emissões, aproveitamento de resíduos e menor dependência do diesel fóssil. Com a regulamentação do Programa Combustível do Futuro e o avanço de novos projetos autorizados pela ANP, a expectativa é de crescimento acelerado desse mercado nos próximos anos.

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