04/09/2026 03:00

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Prêmio Mulheres do Agro reconhece dez trajetórias de inovação no campo

Premiação recebeu recorde de 394 inscrições e avaliou práticas ambientais, sociais e de governança.

Da Redação

Nove produtoras rurais e uma pesquisadora foram reconhecidas na 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro. As vencedoras foram anunciadas na quarta-feira (26), durante cerimônia realizada em São Paulo.

Criada pela Bayer e pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a premiação recebeu 394 inscrições em 2026, o maior número desde o início da iniciativa, em 2018. Ao longo de nove edições, 85 mulheres já tiveram seus trabalhos destacados.

A avaliação considera critérios ambientais, sociais e de governança, como uso racional dos recursos naturais, eficiência produtiva, saúde do solo e desenvolvimento das comunidades.

Pesquisa realizada em 2025 pelo Instituto Quiddity, em parceria com a Bayer, mostrou que 78% das produtoras rurais consideram a ampliação da visibilidade do trabalho feminino determinante para aumentar a participação das mulheres na cadeia produtiva.

“Reconhecer as mulheres e o impacto que geram no campo é um compromisso contínuo. Ver o engajamento desta edição reafirma que dar visibilidade às mulheres do agro é fortalecer o próprio setor”, afirma Caroline Assalve, líder de Gestão Executiva da divisão agrícola da Bayer.

Pequena Propriedade

Ana Karina Klinke, de São Paulo, conquistou o primeiro lugar na categoria Pequena Propriedade. Ela administra a Estância Futurama, em Holambra, voltada à seleção e ao melhoramento genético de animais.

A produtora implantou práticas de agricultura regenerativa, compostagem e conservação de nascentes. Também substituiu defensivos químicos sintéticos por soluções biológicas, inoculantes e probióticos.

Além da atuação na propriedade, Ana oferece apoio técnico gratuito a pequenos produtores e participa de conselhos municipais relacionados a projetos de arborização.

Roseilda Lima Duarte, de São Paulo, ficou em segundo lugar, enquanto Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida, de Minas Gerais, terminou na terceira posição.

Média Propriedade

Na categoria Média Propriedade, o primeiro lugar foi de Kátia Helena Fenner Rodrigues, responsável pela Fazenda Varginha, em São Joaquim (SC).

A propriedade centenária trabalha com o cultivo de frutas com Indicação Geográfica, extrativismo sustentável do pinhão e preservação da floresta de araucárias. Na pecuária, utiliza protocolos de bem-estar animal e melhoramento genético.

Kátia também criou o projeto Mulheres Araucarianas, que deu origem à proposta do Selo Rosa, voltado à capacitação e ao fortalecimento das trabalhadoras rurais de Santa Catarina.

Suzana Muterle Viccini, da Bahia, ficou em segundo lugar. Sheilane Maria Rodrigues Magalhães, do Ceará, ocupou a terceira posição.

Grande Propriedade

Aline Baldim Vick, de São Paulo, venceu na categoria Grande Propriedade. Economista e gestora da Fazenda Estância, em Pirassununga, ela deixou o mercado financeiro para atuar no negócio familiar.

A propriedade adota rotação de culturas, plantas de cobertura e manejo direcionado por talhão. Segundo a organização do prêmio, a estratégia possibilitou colheitas até 25% superiores à média regional e reduziu a pegada de carbono do cultivo de grãos para um nível inferior à média nacional.

A área também abriga espécies ameaçadas da fauna e da flora, como o cedro-rosa e o macaco-sauá. Mais de 1.200 pessoas já visitaram a fazenda em atividades destinadas à divulgação da agricultura regenerativa.

Karina Santos Gontijo Seibt e Elisabete Kim Shih, ambas de Minas Gerais, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Ciência e Pesquisa

A bióloga Erika Valente de Medeiros, de Pernambuco, venceu a categoria Ciência e Pesquisa, definida após votação popular que recebeu mais de 40 mil votos.

Doutora em Agronomia e professora da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), Erika desenvolve pesquisas em microbiologia e bioquímica do solo, biochar, desertificação, bioeconomia e agricultura sustentável no semiárido.

A pesquisadora possui mais de 200 artigos científicos publicados e sete patentes registradas. Também coordena projetos voltados ao desenvolvimento de bioinsumos e à recuperação de áreas degradadas.

“As histórias e as boas práticas que conhecemos nesta edição são sinônimo de resiliência, coragem e capacidade de inovação. Elas evidenciam que a atuação feminina está na vanguarda do desenvolvimento agrícola e científico”, afirma Caroline.

Confira todas as premiadas

Pequena Propriedade

  1. Ana Karina Klinke – São Paulo;
  2. Roseilda Lima Duarte – São Paulo;
  3. Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida – Minas Gerais.

Média Propriedade

  1. Kátia Helena Fenner Rodrigues – Santa Catarina;
  2. Suzana Muterle Viccini – Bahia;
  3. Sheilane Maria Rodrigues Magalhães – Ceará.

Grande Propriedade

  1. Aline Baldim Vick – São Paulo;
  2. Karina Santos Gontijo Seibt – Minas Gerais;
  3. Elisabete Kim Shih – Minas Gerais.

Ciência e Pesquisa

  • Erika Valente de Medeiros – Pernambuco.

Debates sobre o futuro do setor

A programação também incluiu debates sobre transição energética, mudanças climáticas, tecnologia e inovação no agronegócio.

Um dos painéis reuniu especialistas e produtoras para discutir os desafios e as oportunidades da transição energética. Outro encontro abordou o papel da pesquisa científica e das novas tecnologias no futuro da produção agropecuária.

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