04/09/2026 03:01

04/09/2026 03:01

Amazônia em pé gera US$ 317 bilhões por ano em serviços ecossistêmicos

Especialista defende tecnologia e rastreabilidade para transformar conservação em renda e desenvolvimento.

Da Redação

A preservação da Amazônia produz benefícios econômicos relacionados à regulação do clima, à biodiversidade e ao ciclo da água. Esses serviços ecossistêmicos representam mais de US$ 317 bilhões por ano, conforme artigo publicado pelo Banco Mundial em 2023.

Apesar do valor estimado, parte desses benefícios ainda não é considerada pelos indicadores econômicos tradicionais. Para Felipe Franzina, fundador e CEO da Amazonia Bio Group, o desafio é criar modelos de negócio capazes de gerar renda com a floresta preservada.

“O maior desafio é mudar a métrica. Durante muito tempo, o valor econômico da Amazônia foi associado principalmente ao que poderia ser retirado da floresta. Hoje, precisamos olhar para o que ela é capaz de gerar enquanto permanece em pé”, afirma.

Segundo ele, biodiversidade, disponibilidade de água, regulação climática e ingredientes naturais devem ser considerados ativos econômicos. Essa mudança permitiria que a conservação integrasse as estratégias de desenvolvimento, em vez de ser tratada apenas como uma obrigação ambiental.

Tecnologia pode reduzir perdas e agregar valor

Um dos obstáculos ao desenvolvimento da bioeconomia amazônica é a distância entre os produtores da floresta e as indústrias que utilizam ingredientes naturais.

Sem infraestrutura adequada de armazenamento, processamento e transporte, parte dos frutos nativos pode se perder antes de chegar ao mercado. Além do desperdício, o problema reduz a renda obtida pelas comunidades e pelos produtores.

Tecnologias de processamento podem ampliar a vida útil das matérias-primas e facilitar o acesso a mercados nacionais e internacionais. Um exemplo é a liofilização, método que retira a água dos alimentos em baixa temperatura e ajuda a preservar características nutricionais e compostos bioativos.

O processo permite transformar frutos perecíveis em ingredientes padronizados e rastreáveis para as indústrias de alimentos, cosméticos e bem-estar.

“A bioeconomia não pode ser tratada como uma atividade artesanal ou de baixo valor agregado. Quando colocamos tecnologia, ciência e gestão industrial dentro da cadeia, conseguimos transformar um fruto que poderia se perder na floresta em um ingrediente com especificação técnica para mercados globais”, explica Franzina.

Rastreabilidade amplia acesso a mercados

Além do processamento, a rastreabilidade permite acompanhar a origem dos ingredientes, os métodos de produção e a distribuição dos recursos ao longo da cadeia.

Para o especialista, esses dados são necessários para demonstrar os impactos ambientais e sociais dos produtos e atender às exigências dos mercados consumidores.

A consolidação da bioeconomia também depende da transformação dos resultados ambientais em indicadores mensuráveis, como conservação de áreas, geração de renda, produtividade e redução de perdas.

“Isso agrega valor e cria uma equação econômica capaz de competir com modelos tradicionais de uso da terra”, conclui Franzina.

Compartilhe:

Útimas notícias

plugins premium WordPress