26/05/2026 00:11

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Projeto já ajudou mais de 700 pessoas do sistema prisional a recomeçar por meio do trabalho

Iniciativa do Grupo Pereira aposta em emprego e renda como ferramenta de reintegração social e já contratou mais de 40 participantes com carteira assinada

Da Redação

Iris Sarmento Junior, auxiliar administrativo do Comper (Foto: Grupo Pereira/Divulgação).

Em meio ao debate sobre segurança pública e reincidência criminal no Brasil, uma iniciativa voltada à geração de emprego e renda vem mostrando como o trabalho pode se tornar ferramenta concreta de transformação social. Criado pelo Grupo Pereira, o projeto Reeducandos já ajudou mais de 700 pessoas do sistema prisional a recomeçarem por meio de oportunidades remuneradas em unidades da empresa.

Lançado em 2014, o programa conecta pessoas privadas de liberdade ao mercado de trabalho e atualmente reúne 260 reeducandos em atividade nas operações das bandeiras Fort Atacadista e Comper, distribuídas em cinco estados brasileiros.

Os participantes atuam em áreas como logística, televendas, cozinha, manutenção e apoio operacional, além de atividades desenvolvidas dentro das próprias unidades prisionais. O Grupo Pereira também mantém duas centrais de manutenção de carrinhos instaladas em presídios: uma no Centro Penal da Gameleira, em Mato Grosso do Sul, e outra no Complexo da Papuda, no Distrito Federal.

Segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o Brasil possui atualmente mais de 960 mil pessoas privadas de liberdade, mas apenas cerca de 20% têm acesso ao trabalho. Nesse contexto, iniciativas voltadas à reintegração social ganham relevância ao ampliar o acesso à empregabilidade e fortalecer alternativas de reconstrução de vida após o sistema prisional.

Para Paulo Nogueira, diretor de Gente e Gestão do Grupo Pereira, discutir segurança pública também passa por ampliar oportunidades.

“Quando falamos em segurança pública, também precisamos falar sobre oportunidades. O trabalho devolve dignidade, cria perspectiva e ajuda essas pessoas a retomarem suas vidas com mais autonomia. É uma transformação que impacta não apenas quem participa do projeto, mas toda a sociedade”, afirma.

Além da remuneração, os participantes recebem alimentação, uniforme e transporte, além do benefício previsto em lei de remição da pena, que prevê redução de um dia da condenação a cada três dias trabalhados. O processo de seleção é realizado em parceria com instituições prisionais dos estados onde o programa está presente: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O impacto do projeto também vai além do período de cumprimento da pena. Desde sua criação, mais de 40 participantes foram contratados em regime CLT pelo Grupo Pereira, ampliando o acesso ao mercado formal e fortalecendo as possibilidades de continuidade profissional após a saída do sistema prisional.

Um desses casos é o de Iris Sarmento Junior, hoje auxiliar administrativo do Comper. Ele ingressou no projeto durante o cumprimento da pena, quando foi designado para atuar em uma unidade da empresa. Desde então, construiu trajetória profissional dentro do grupo, passando pelo depósito, por outros setores operacionais e chegando recentemente à função administrativa.

“Desde que entrei no Grupo Pereira vivi um processo de reafirmação pessoal e profissional. Era um recomeço, sempre enxerguei o trabalho como o caminho para conquistar uma vida melhor e mais digna. Aqui, somos tratados como profissionais e incentivados a crescer. Para quem está recomeçando, meu conselho é valorizar a oportunidade, acreditar em si mesmo e buscar evoluir todos os dias”, relata.

Segundo Iris, os impactos dessa trajetória também chegaram à vida familiar. Hoje ele divide o ambiente de trabalho com o próprio pai.

“Trabalhar com meu próprio pai é um privilégio. Minha trajetória influenciou sua decisão de vir para a empresa, mas acredito que o principal fator foi a forma como ele foi acolhido e valorizado pelo Grupo, mesmo aos seus mais de 70 anos”, afirma.

Ao ampliar o acesso ao trabalho e criar caminhos reais para o recomeço, o projeto Reeducandos se consolida como uma iniciativa de impacto social contínuo, conectando empregabilidade, dignidade e reintegração social dentro e fora do sistema prisional.

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