Junção das estruturas entre Brasil e Paraguai deve ocorrer entre 14 e 15 de julho e abrir etapa final da obra
Da Redação

A Ponte da Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, entra na reta final de construção e deve ser concluída em meados de outubro deste ano. A previsão é do Consórcio PyBra, responsável pela execução da obra, que estima cerca de três meses para a conclusão dos serviços após a junção das estruturas dos dois países.
Antes disso, a construção deve atingir seu principal marco de engenharia entre os dias 14 e 15 de julho, quando está previsto o chamado “beijo das aduelas”. Segundo o consórcio, apenas 5,60 metros separam atualmente os lados brasileiro e paraguaio da ponte.
Inicialmente prevista para maio, a junção das duas estruturas teve o cronograma readequado em razão de fatores técnicos e de novas avaliações realizadas durante a execução da obra.
O empreendimento está sob responsabilidade do MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações) do Paraguai, conta com recursos da Administração Paraguaia da Itaipu Binacional e é executado pelo Consórcio PyBra.
Após o “beijo das aduelas”, a obra entrará na etapa final de construção, com a pavimentação das pistas, instalação de estruturas anticolisão e antissuicídio, implantação da iluminação ornamental e de segurança, além da sinalização. Atualmente, o canteiro de obras emprega 140 operários.
Paraguai concluirá ponte e acesso no mesmo período
Além da ponte, o governo paraguaio executa um acesso pavimentado de 3,8 quilômetros que ligará a estrutura à rodovia PY-15, uma das vias que integram a Rota Bioceânica. Conforme o MOPC, a obra teve início em outubro de 2025, também com recursos da Administração Paraguaia da Itaipu Binacional. O investimento é de US$ 20 milhões e a conclusão está prevista para outubro deste ano, no mesmo período estimado para a entrega da ponte.
No lado brasileiro, o cronograma segue mais longo. Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), o acesso rodoviário à ponte e o Centro Unificado de Fronteira Brasil–Paraguai devem ser entregues apenas no segundo semestre de 2027.
Com investimento aproximado de R$ 500 milhões, a obra prevê a implantação de um trecho de 13,1 quilômetros ligando a BR-267 à Ponte da Bioceânica, além da construção de um viaduto, seis pontes e de um Centro Aduaneiro Integrado, nos moldes da estrutura existente entre São Borja (RS) e Santo Tomé, na Argentina.
O cronograma evidencia um descompasso superior a um ano entre a conclusão da ponte e da infraestrutura brasileira necessária para a conexão definitiva com a Rota Bioceânica.
Ligação entre Atlântico e Pacífico
A Ponte da Bioceânica é uma das principais obras do Corredor Bioceânico, também chamado de Rota de Integração Latino-Americana (RILA) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio.
Com mais de 3,2 mil quilômetros de extensão, a rota conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Porto Murtinho será a porta de entrada do corredor em território brasileiro.
A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em um importante eixo de integração logística da América do Sul, com potencial para reduzir em até 30% os custos de transporte e em até 15 dias o tempo de viagem das cargas destinadas aos mercados asiáticos, em comparação com rotas tradicionais, como a do Canal do Panamá.





