05/09/2026 06:26

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Polarização eleitoral amplia preocupação das empresas com reputação

Especialista orienta líderes a evitar campanhas no trabalho e preparar respostas para temas políticos sensíveis.

Da Redação

A campanha eleitoral de 2026 já entrou nas salas de diretoria, mesmo com a votação marcada para outubro. Em um ambiente marcado por polarização e exposição nas redes sociais, empresas buscam formas de evitar conflitos internos e impedir que manifestações individuais sejam associadas às marcas.

A fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e linguagem no trabalho, afirma que tem sido procurada por companhias interessadas em preparar líderes e equipes para lidar com discussões políticas.

Segundo ela, a preocupação não se restringe aos desentendimentos entre funcionários. As empresas também querem proteger a reputação institucional e evitar que declarações de executivos sejam interpretadas como posicionamentos político-partidários.

“Hoje, é crescente a busca por orientação sobre como se comportar em ambientes públicos sem revelar preferência política e como responder a perguntas inesperadas sobre o tema sem comprometer a imagem da companhia. De modo geral, as empresas estão menos preocupadas em controlar debates políticos e mais focadas em proteger reputação, equipes e negócios em um ambiente de hiperexposição”, explica.

O estudo Panorama da Gestão de Reputação no Brasil 2026, realizado pela Knewin em parceria com a ESPM e a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), apontou que 95% das empresas consultadas consideram a reputação um ativo estratégico.

Outro levantamento, denominado Termômetro das Redes: Eleições 2026, monitorou mais de 20 mil conversas digitais nos primeiros meses do ano. Produzido pela AND, ALL em parceria com a Polis Consulting, o estudo identificou que a polarização e a desconfiança ampliam os riscos para a imagem de empresas e lideranças.

Receio de interpretações

Para Juliana, uma das diferenças em relação às eleições de 2022 é o aumento da preocupação com a maneira como as declarações serão interpretadas.

“Os líderes estão descobrindo que qualquer frase pode ser capturada, compartilhada e associada à marca que representam. O medo da interpretação substituiu o medo do conflito. Tal comportamento aponta uma mudança de postura significativa em relação ao último ciclo eleitoral”, avalia.

Redes sociais, gravações de reuniões, grupos de mensagens e a velocidade de circulação dos conteúdos aumentaram o potencial de repercussão de qualquer manifestação. Diante desse cenário, algumas empresas passaram a estabelecer orientações específicas sobre campanhas eleitorais e o uso dos canais corporativos para assuntos políticos.

“A discussão hoje vai além da liberdade de expressão. As empresas estão tentando encontrar um equilíbrio entre respeitar opiniões individuais e evitar que o ambiente corporativo se transforme em espaço de campanha eleitoral”, afirma.

Como reduzir conflitos no ambiente de trabalho

Juliana apresenta dez orientações para as empresas durante o período eleitoral:

  1. Mantenha o foco das reuniões: quando um assunto político sem relação com o negócio surgir, o líder deve encerrar o tema respeitosamente e redirecionar a conversa para o objetivo profissional.
  2. Evite campanhas nos canais corporativos: grupos de WhatsApp, chats internos e outros meios profissionais não devem ser usados para promover candidatos. Mesmo uma opinião pessoal pode ser entendida como pressão ou influência indevida.
  3. Oriente os líderes sobre o peso do cargo: gestores não devem utilizar a posição hierárquica para tentar influenciar as escolhas políticas dos subordinados. A relação de poder pode alterar a maneira como um comentário é recebido.
  4. Prepare os porta-vozes: presidentes, diretores e executivos devem treinar respostas para perguntas políticas e outros temas sensíveis antes de participar de entrevistas, reuniões ou eventos públicos.
  5. Defina regras antecipadamente: as orientações sobre manifestações partidárias e uso dos canais corporativos devem ser estabelecidas antes do surgimento de conflitos.
  6. Diferencie análise de campanha: discutir os possíveis efeitos econômicos, regulatórios ou setoriais das eleições pode ser importante para a empresa. O problema ocorre quando a conversa passa a defender candidaturas.
  7. Escute antes de agir: diante de um conflito, a liderança deve compreender o contexto e verificar se houve desrespeito ou campanha eleitoral antes de definir qualquer intervenção.
  8. Revise as redes sociais: executivos devem avaliar se publicações pessoais podem ser associadas à companhia e afetar relações com funcionários, clientes, investidores ou parceiros.
  9. Tenha cuidado ao declarar neutralidade: frases utilizadas para demonstrar imparcialidade podem produzir interpretações diferentes, dependendo do contexto e da forma como são apresentadas.
  10. Use a comunicação para preservar relações: comunicar bem não significa convencer os demais, mas criar condições para que pessoas com opiniões diferentes continuem trabalhando juntas com respeito e responsabilidade.

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