25/05/2026 22:05

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Pantanal de MS avança em projeto inédito para gerar créditos de biodiversidade no Rio Negro

Encontro em Campo Grande marca nova etapa de iniciativa que busca unir conservação ambiental e financiamento de longo prazo.

Da Redação

O encontro reúne representantes do governo estadual e federal, instituições ambientais, organizações da sociedade civil, comunidade científica e parceiros técnicos envolvidos na iniciativa voltada ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN) (Foto: Divulgação).

Mato Grosso do Sul dá mais um passo na construção de um modelo inédito de conservação ambiental com potencial de impacto nacional. O Estado avança na implementação de créditos de biodiversidade no Pantanal, iniciativa que busca transformar preservação ambiental em mecanismo permanente de financiamento para áreas protegidas. A nova etapa do projeto será apresentada nesta quarta-feira (27), em Campo Grande.

O encontro será realizado às 14h, no Hotel Deville, e reúne representantes do governo estadual e federal, instituições ambientais, organizações da sociedade civil, comunidade científica e parceiros técnicos envolvidos na iniciativa voltada ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN).

A proposta tem como foco estruturar as bases necessárias para viabilizar a geração de créditos de biodiversidade, criando instrumentos financeiros capazes de fortalecer a conservação do Pantanal a longo prazo. O modelo busca conectar proteção ambiental e mercado, permitindo que ações voltadas à preservação da biodiversidade possam gerar valor econômico e sustentabilidade financeira para unidades de conservação.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e integra o programa Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal. A coordenação nacional é do Ministério do Meio Ambiente (MMA), com implementação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Em Mato Grosso do Sul, a execução local ocorre por meio da Wetlands International Brasil e da Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, em parceria com o Imasul e a Semadesc.

A iniciativa dá continuidade aos estudos técnicos desenvolvidos entre 2024 e 2025, que identificaram o potencial do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro para geração de créditos ambientais e soluções baseadas na natureza. A análise de viabilidade foi entregue oficialmente em julho do ano passado à Semadesc e ao Imasul, consolidando uma agenda conjunta entre governo e organizações parceiras.

Os resultados apontaram oportunidades especialmente ligadas aos créditos de biodiversidade, posicionando o parque como área piloto para a implantação desse mecanismo em Mato Grosso do Sul e com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país.

Segundo a secretária-executiva da Secretaria Executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, o parque vem se consolidando como referência em inovação ambiental no Estado.

“A articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade do Estado de desenvolver soluções baseadas na natureza com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país”, afirmou.

A nova etapa marca a transição dos estudos para a prática. Entre as ações previstas estão monitoramento ecológico, definição de indicadores ambientais, estruturação de governança e modelagem de impacto baseada na Teoria da Mudança. O projeto também prevê mecanismos jurídico-financeiros voltados à futura comercialização desses créditos no mercado.

Um dos diferenciais técnicos da iniciativa é a adoção do conceito de espécie guarda-chuva, utilizando a onça-pintada como indicador ecológico da saúde do ecossistema pantaneiro. O monitoramento inclui uso de armadilhas fotográficas e análise genética ambiental (eDNA), tecnologia que permite identificar espécies por meio de vestígios deixados no ambiente.

Para Letícia Larcher, bióloga e gestora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan, o momento é decisivo para consolidar uma base técnica robusta para o novo modelo.

“A partir das análises de viabilidade realizadas nos últimos anos, avançamos agora para a implementação das ações que vão comprovar a presença das espécies, estabelecer a linha de base do projeto e definir compromissos concretos de conservação”, afirmou.

A iniciativa acompanha uma agenda internacional crescente voltada ao desenvolvimento de mecanismos econômicos aplicados à conservação ambiental. A expectativa é que o modelo contribua para ampliar a sustentabilidade financeira de áreas protegidas, fortalecer a proteção da biodiversidade e inspirar novos projetos de conservação no Pantanal e em outros biomas brasileiros.

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