13/05/2026 18:34

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Nelore-MS critica restrição da UE e defende pecuária brasileira

Entidade cobra equilíbrio em exigências sanitárias e alerta para impactos ao setor frigorífico de MS.

Anderson Viegas

Entidades da pecuária e da indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul demonstram preocupação com possível restrição europeia à carne brasileira (Foto: Anderson Viegas/Made in MS).

A manifestação da União Europeia sobre possíveis restrições à importação de carne brasileira ampliou a preocupação de entidades ligadas à pecuária e à indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul. Após o alerta feito pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems), agora foi a vez da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS) se posicionar sobre o tema.

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Em nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Matos, a Nelore-MS afirmou receber com preocupação o anúncio europeu e defendeu que o debate seja tratado “com seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio”. A associação destacou que o Brasil possui um dos maiores sistemas de produção de proteína animal do mundo, com avanços em genética, sanidade, rastreabilidade, sustentabilidade e produtividade.

Segundo a entidade, a pecuária brasileira está disposta a avançar na ampliação da rastreabilidade do rebanho, mas ressalta que a implantação de sistemas mais amplos exige apoio do poder público, integração institucional, segurança jurídica e políticas que permitam ao produtor absorver os custos sem comprometer a competitividade.

A Nelore-MS também afirmou que determinadas exigências internacionais acabam extrapolando a esfera técnica e se transformando em barreiras comerciais à competitividade do agro brasileiro.

“A carne brasileira é uma das mais competitivas do mundo porque o produtor rural brasileiro produz com eficiência, tecnologia e capacidade de escala”, destacou Paulo Matos na manifestação.

A manifestação da Nelore-MS e do Sincadems ocorre após a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, alegando insuficiência nas garantias relacionadas ao uso de determinados antibióticos na produção animal.

A restrição entra em vigor em 3 de setembro e abrange carne bovina, animais vivos e produtos derivados de origem animal, como aves, ovos, mel e peixes. O bloco europeu exige que o Brasil garanta o cumprimento dos requisitos sanitários durante toda a vida do animal.

Na terça-feira (12), o presidente do Sincadems, Régis Luis Comarella, já havia demonstrado preocupação com os impactos ao setor frigorífico sul-mato-grossense, principalmente em um momento de encerramento da cota chinesa de importação de carne bovina. “Mais essa agora é sinal de baixa na arroba e muita cautela, pois o mercado interno não comporta absorver este volume”, afirmou ao Made in MS.

Dados do ComexStat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que Mato Grosso do Sul exportou 124,203 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e abril de 2026, gerando receita de US$ 706,254 milhões.

A China liderou o destino das exportações estaduais, com 41,642 mil toneladas embarcadas, equivalentes a 33,53% do volume exportado e receita de US$ 250,574 milhões.

Já os países da União Europeia importaram 3,844 mil toneladas de carne bovina sul-mato-grossense no período, movimentando US$ 33,961 milhões. O bloco respondeu por 4,81% da receita e 3,09% do volume exportado pelo Estado.

Apesar da participação menor, o mercado europeu é considerado estratégico pelo setor frigorífico por exigir elevado padrão sanitário e remunerar produtos de maior valor agregado.

O principal comprador europeu da carne bovina sul-mato-grossense foi a Holanda, com aquisição de 1,934 mil toneladas e receita de US$ 18,868 milhões.

Diante da decisão europeia, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o Governo do Brasil adotará todas as medidas necessárias para reverter a restrição e garantir a continuidade das exportações ao mercado europeu.

Segundo o governo federal, o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia já possui reunião agendada com autoridades sanitárias do bloco para discutir a medida.

O Mapa também ressaltou que o Brasil possui sistema sanitário robusto, reconhecido internacionalmente, e segue como maior exportador mundial de proteínas de origem animal.


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