Bloco europeu responde por 4,81% da receita da carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul e amplia preocupação do setor diante da pressão chinesa.
Anderson Viegas

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco acendeu um alerta no setor frigorífico de Mato Grosso do Sul, que já enfrenta pressão diante do encerramento da cota chinesa de importação de carne bovina. A medida, anunciada nesta terça-feira (12), ocorre porque os europeus consideraram insuficientes as garantias de que determinados antibióticos não são utilizados para promover o crescimento ou aumentar a produção animal.
A restrição entra em vigor a partir de 3 de setembro e, além da carne bovina, também abrange animais vivos e produtos derivados de origem animal, como aves, ovos, mel e peixes. A União Europeia exige que o Brasil garanta o cumprimento dos requisitos sanitários durante toda a vida do animal, e não apenas no momento do abate.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems), Régis Luis Comarella, afirma que a situação preocupa o setor, embora ainda aguarde uma comunicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Olha, é difícil falar alguma coisa. Ainda não sabemos ao certo, nada foi divulgado pelo Ministério da Agricultura sobre esse assunto. Mas, com certeza, se isso acontecer é mais um motivo para preocupação. Lembrando que estamos encerrando a cota da China esse mês. Mais essa agora é sinal de baixa na arroba e muita cautela, pois o mercado interno não comporta absorver este volume”.
A cota mencionada por Comarella se refere ao volume anual de importação de carne bovina estabelecido pela China, mecanismo adotado pelo país asiático para proteger os produtores locais. Para o Brasil, o limite é de 1,1 milhão de toneladas, volume que deve ser preenchido até o fim de maio.
A China foi o principal destino da carne bovina “Made in MS” no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados do ComexStat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), das 124,203 mil toneladas exportadas por Mato Grosso do Sul no período, 41,642 mil toneladas, o equivalente a 33,53%, tiveram como destino o mercado chinês. O volume resultou em uma receita de US$ 250,574 milhões, correspondente a 35,48% dos US$ 706,254 milhões obtidos pelo Estado com exportações de carne bovina no período.
De acordo com o ComexStat, entre janeiro e abril, Mato Grosso do Sul exportou 3,844 mil toneladas de carne bovina para sete países da União Europeia: Holanda, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Dinamarca e Bélgica. O grupo representa pouco mais de um quarto das 27 nações que integram o bloco econômico europeu. Os embarques renderam US$ 33,961 milhões ao Estado.
Em participação, os países europeus responderam por 4,81% da receita e 3,09% do volume exportado por Mato Grosso do Sul no período. Apesar da fatia relativamente pequena, o mercado europeu é considerado estratégico pelo setor frigorífico por exigir elevado padrão sanitário e remunerar produtos de maior valor agregado.
O principal comprador europeu da carne bovina sul-mato-grossense foi a Holanda, com 1,934 mil toneladas adquiridas e receita de US$ 18,868 milhões. O principal produto comprado pelos holandeses foi a carne bovina desossada congelada.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil poderá voltar a integrar a relação de países habilitados a exportar ao bloco após comprovar, e ter reconhecimento por eles do cumprimento das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.





