Estado tem capacidade instalada de 7,58 milhões de toneladas e dois novos projetos previstos.
Da Redação

Mato Grosso do Sul poderá alcançar capacidade de produção de 16,6 milhões de toneladas de celulose por ano com a entrada em operação de novos empreendimentos. Atualmente, as quatro linhas de produção instaladas no Estado somam capacidade de 7,584 milhões de toneladas anuais.
A projeção para o setor foi apresentada nesta quinta-feira (17), em Campo Grande, durante o 32º Simpósio Intersindical de Negociações Coletivas das Indústrias de Celulose, Papel, Papelão e Artefatos (SINPEL).
Conhecido como “Vale da Celulose”, Mato Grosso do Sul tem atualmente três linhas de produção da Suzano, duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo, e uma da Eldorado Brasil, também em Três Lagoas.
A perspectiva de aumento da capacidade para 16,6 milhões de toneladas considera projetos em andamento ou anunciados. Entre eles estão a fábrica da Arauco, em construção em Inocência, e o projeto da Bracell em Bataguassu, que já recebeu licenciamento.
A ampliação da capacidade industrial ocorre em uma cadeia que também tem participação relevante nas exportações e no mercado de trabalho de Mato Grosso do Sul. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Mato Grosso do Sul (Sinpacems), Élcio Trajano Júnior, as empresas representadas pela entidade reúnem mais de 20 mil postos de trabalho no Estado.
Celulose liderou exportações
O crescimento da produção também aparece na pauta de comércio exterior. Conforme os números apresentados durante o SINPEL, Mato Grosso do Sul exportou 5,8 milhões de toneladas de celulose em 2025. O produto respondeu por 29,32% das exportações estaduais no período, liderando a pauta exportadora.
A cadeia produtiva reúne desde a base florestal, responsável pelo cultivo de eucalipto, até as unidades industriais que transformam a madeira em celulose destinada aos mercados brasileiro e internacional.
No mercado de trabalho, Élcio Trajano informou que a indústria de Mato Grosso do Sul alcançou aproximadamente 160 mil empregos formais, após crescimento de 20% em dez anos.
No segmento de celulose, foram registradas quase 16 mil admissões em 2025, segundo os dados apresentados pelo presidente do Sinpacems durante o encontro.
Com os novos investimentos, a qualificação de trabalhadores também entrou na pauta do simpósio. Empresas do setor mantêm iniciativas em parceria com Sesi, Senai e IEL para ampliar a oferta de cursos e formações direcionadas às atividades da cadeia produtiva.
Fiems acompanha projetos
Representando o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, o vice-presidente da entidade, Crosara Júnior, afirmou que a Federação acompanha o desenvolvimento da cadeia de base florestal e participa de estudos relacionados ao potencial produtivo, infraestrutura e logística.
Entre os trabalhos mencionados está o mapeamento de rodovias e das capacidades necessárias para atender ao escoamento da produção industrial.
“Esse conjunto de pessoas e instituições trabalhando ajudou na prosperidade de um setor que tem transformado Mato Grosso do Sul. É um segmento que chegou forte e trouxe, junto com ele, diversas outras atividades”, afirmou Crosara Júnior.
Segundo o vice-presidente, Senai, Sesi e IEL atuam em diferentes frentes relacionadas às demandas das indústrias. O Senai trabalha com educação profissional, formação técnica e tecnologia; o Sesi, nas áreas de educação, saúde e segurança do trabalho; e o IEL, no desenvolvimento de talentos e na aproximação entre empresas e profissionais.
A chegada de novos empreendimentos também amplia demandas nos municípios onde as fábricas são instaladas, principalmente por trabalhadores qualificados, infraestrutura, educação, saúde, moradia e serviços.
SINPEL reúne setor em Campo Grande
Realizado pelo Sinpacems, o 32º SINPEL reuniu empresários, dirigentes sindicais, negociadores e especialistas de diferentes regiões do país para discutir o cenário da indústria, relações de trabalho, negociações coletivas, produtividade e a expansão da cadeia de papel e celulose.
A programação contou com a participação do presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Paulo Hartung, que abordou perspectivas para a indústria; de Esau Aguiar, com uma análise sobre o polo de celulose de Mato Grosso do Sul; e de Sylvia Lorena, superintendente de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que tratou de temas relacionados à jornada e às mudanças no ambiente trabalhista.





