25/09/2026 19:47

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Mais idosos estão trabalhando, mas 70% veem barreiras à promoção

Brasil tem 8,3 milhões de trabalhadores com 60 anos ou mais, enquanto empresas ainda convivem com o etarismo.

Da Redação

Profissionais com 60 anos ou mais ampliam presença no mercado de trabalho, mas ainda enfrentam barreiras relacionadas à idade nas empresas (Foto: Divulgação).

O mercado de trabalho brasileiro está envelhecendo. Em 2024, cerca de 8,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam trabalhando no país, o equivalente a uma em cada quatro pessoas dessa faixa etária. É a maior participação registrada desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.

Na última década, a presença desse público no mercado aumentou 53%, segundo levantamento da Nexus baseado nos dados da PNAD Contínua. O avanço acompanha o envelhecimento da população e aponta para uma força de trabalho cada vez mais diversa em idade.

A permanência por mais tempo na atividade profissional, porém, convive com barreiras dentro das próprias empresas. Pesquisa da INTOO, unidade de gestão de carreira da Gi Group Holding, em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, mostra que 70% dos entrevistados concordam que trabalhadores mais velhos recebem menos oportunidades de promoção e são frequentemente pressionados a se aposentar quando ocupam cargos de gerência, abrindo espaço para profissionais mais jovens.

O levantamento ouviu 269 profissionais em cargos de gestão e identificou uma contradição na percepção sobre os trabalhadores mais experientes.

Enquanto 80,7% os associam à cordialidade, 77,3% à confiabilidade e 75,8% à generosidade, 44% relacionam profissionais mais velhos à resistência a mudanças. Outros 24% acreditam que eles não são capazes de trazer ideias inovadoras.

Para Juliana Bertoni, coordenadora de RH da Gi Group Holding, essas percepções podem levar empresas a tomar decisões baseadas em estereótipos, em vez de considerar as competências individuais.

“O profissional mais experiente, muitas vezes, é associado à dificuldade de adaptação e ao apego a formas tradicionais de trabalhar, enquanto características como inovação e flexibilidade são automaticamente atribuídas aos mais jovens.”

Segundo ela, generalizações desse tipo podem impedir as empresas de aproveitar conhecimentos e competências acumulados ao longo da carreira desses profissionais.

Mais da metade está na informalidade

Outro indicador mostra que o desafio não está apenas em permanecer trabalhando, mas também nas condições encontradas por essa população.

Em 2024, 55,7% dos trabalhadores com 60 anos ou mais estavam em ocupações informais, segundo o IBGE. Entre toda a população ocupada com 14 anos ou mais, a taxa era de 40,6%.

Embora a legislação brasileira proíba discriminação por idade no acesso ou na manutenção do emprego, o etarismo pode aparecer de formas menos explícitas dentro das organizações.

A busca por um chamado “perfil jovem” em processos seletivos, a associação automática entre idade e dificuldade com tecnologia e a exclusão de profissionais mais experientes de treinamentos ou projetos de inovação estão entre os exemplos apontados no material.

“Não faz sentido falar em escassez de talentos e, ao mesmo tempo, criar barreiras para profissionais experientes”, afirma Bertoni.

Preconceito também atinge jovens

O levantamento chama atenção ainda para o fato de que os estereótipos relacionados à idade não atingem somente os trabalhadores mais velhos.

Profissionais no início da carreira também podem ser associados à imaturidade, falta de experiência ou menor estabilidade, enquanto os mais velhos enfrentam percepções relacionadas à resistência a mudanças e menor capacidade de adaptação.

Para a INTOO, a diversidade geracional deve ser tratada como uma troca. Trabalhadores mais experientes podem contribuir com conhecimento e repertório acumulados, enquanto os mais jovens incorporam outras perspectivas e formas de trabalhar.

“O ganho está justamente na troca entre essas experiências, e não na escolha de uma geração em detrimento da outra”, afirma Bertoni.

Entre as medidas apontadas para reduzir esses vieses estão processos seletivos baseados em competências, programas de atualização e requalificação profissional acessíveis às diferentes faixas etárias e iniciativas de mentoria e troca de conhecimento entre gerações.

Com o envelhecimento da população e carreiras cada vez mais longas, a capacidade de integrar profissionais de diferentes idades passa a representar também um desafio para a gestão das empresas.

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