Finalista dos maiores concursos do planeta, Ruver Bandeira transforma Bonito em vitrine internacional da conservação
Anderson Viegas

A primeira vez que Antonio Ruver Bandeira mergulhou foi por curiosidade. Professor de Geografia da rede pública do Ceará, ele conheceu o fundo do mar durante uma viagem a Fernando de Noronha, no fim da década de 1990, e saiu da água com uma certeza: aquele universo precisava ser compartilhado. Quase 30 anos depois, a paixão se transformou em uma carreira internacional e fez do cearense um dos principais fotógrafos subaquáticos do mundo e um verdadeiro embaixador das águas de Mato Grosso do Sul.
A mais recente conquista reforça esse reconhecimento. Ruver está entre os finalistas do OceanGeographic Pictures of the Year 2026 (OGPICOTY), um dos concursos de fotografia subaquática mais prestigiados do planeta. A competição reuniu mais de 10 mil participantes de mais de 80 países e colocou apenas dois brasileiros entre os finalistas: Ruver Bandeira e Fabi Fregonese.
O fotógrafo cearense conquistou duas posições entre os finalistas.
Na categoria OG Emerging Master Portfolio, apresentou um conjunto de dez imagens produzidas em algumas das mais impressionantes cavernas alagadas de Bonito: Abismo Anhumas, Lagoa Misteriosa, Gruta do Mimoso e a nascente do Rio Chapena, na Fazenda Ceita Corê. As fotografias revelam feixes de luz atravessando águas cristalinas, formações calcárias esculpidas durante milhões de anos e cenários que transformaram o município sul-mato-grossense em uma referência mundial do mergulho em cavernas.

Também alcançou a final da categoria Animal Portraits, com um retrato de uma tartaruga amazônica que chamou a atenção dos jurados pela riqueza de detalhes e pela expressividade do animal.

Uma paixão que nasceu debaixo d’água
A fotografia nunca foi o plano inicial. Formado em Geografia e professor da rede pública de Fortaleza, Ruver descobriu a fotografia como consequência da vontade de mostrar às pessoas aquilo que encontrava durante os mergulhos. “Quando conheci, eu me apaixonei pelo mundo submerso. Toda aquela beleza que me encantava, eu queria compartilhar com minha família, amigos e assim surgiu a ideia de registrar o que eu via quando estava mergulhando.”

O que começou como um hobby logo exigiu novos equipamentos, técnicas específicas e anos de aperfeiçoamento.Hoje, além de professor, Ruver acumula artigos publicados, participação em livros, documentários ambientais e mais de 30 premiações internacionais dedicadas à fotografia de natureza.
Bonito mudou sua carreira
Se Fernando de Noronha despertou a paixão pelo mergulho, foi Mato Grosso do Sul que consolidou sua trajetória. Ao longo dos últimos anos, praticamente todas as principais conquistas internacionais do fotógrafo tiveram como cenário as águas cristalinas de Bonito e Bodoquena.
Gruta do Mimoso, Abismo Anhumas, Lagoa Misteriosa, Nascente do Prata e Rio Azul aparecem repetidamente entre as fotografias premiadas em concursos internacionais, ajudando a projetar esses destinos para um público de fotógrafos, mergulhadores e amantes da natureza em diferentes partes do mundo.

Em maio deste ano, por exemplo, Ruver ficou entre os 35 melhores fotógrafos subaquáticos do mundo na categoria Underwater Photographer do 35Awards, outro dos mais importantes concursos internacionais da área. O reconhecimento veio com imagens produzidas justamente na Gruta do Mimoso, no Abismo Anhumas e no Rio Azul. Uma das fotografias foi selecionada para integrar o catálogo oficial do prêmio, ampliando ainda mais a visibilidade internacional de Bonito.

Na edição anterior do Express Thematic Photo Contest 35Awards, quatro fotografias feitas em Bonito ficaram entre as melhores do concurso, que reuniu quase 3 mil fotógrafos de centenas de cidades ao redor do mundo.
Mais que fotografar, preservar
Quem observa as imagens de Ruver costuma enxergar apenas a beleza. Para ele, porém, cada fotografia tem uma missão maior. “Se não soubermos preservar esse frágil ecossistema, não ficará nada para ser apreciado pelas futuras gerações. Devemos lembrar também que a água é um recurso essencial para a manutenção da vida em nosso planeta.”
Essa preocupação aparece em praticamente toda a sua produção e explica por que suas fotografias ultrapassam a estética e se transformam em instrumentos de conscientização ambiental.
A segunda casa
Apesar de morar no Ceará, Ruver fala de Bonito com carinho de quem encontrou ali muito mais do que cenários para fotografar. Ele costuma definir Mato Grosso do Sul como sua segunda casa. “Bonito é um lugar especial, assim como todo o estado de Mato Grosso do Sul. Espero retornar em breve para realização de novos ensaios inusitados.”

Em outra oportunidade, explicou que o que mais o impressiona na região não é apenas a transparência das águas. “Existe uma conexão muito grande entre homem e natureza. Existe o cuidado de preservar, de não degradar o meio ambiente. Isso eu não tinha visto em nenhum outro lugar do Brasil. Bonito merecia ter uma foto entre as 20 melhores pela preservação e pelo cuidado que o povo tem por esse ambiente incrível.”
O fotógrafo que levou MS para o mundo
Em um cenário onde milhares de fotógrafos disputam espaço nos principais concursos internacionais, Ruver Bandeira transformou as águas cristalinas de Mato Grosso do Sul em sua maior assinatura. Cada prêmio conquistado projeta não apenas seu talento, mas também Bonito, Bodoquena e a riqueza dos ecossistemas sul-mato-grossenses.

Ao revelar ao mundo cavernas inundadas, rios de transparência quase impossível e a vida escondida sob a superfície, o professor de Geografia que um dia mergulhou apenas por curiosidade tornou-se um dos maiores divulgadores internacionais do patrimônio natural de Mato Grosso do Sul — um verdadeiro embaixador das águas do Estado.





