
Dezembro chegou e para muitos, o clima de celebração contrasta com um sentimento conhecido por especialistas como “dezembrite”, a síndrome emocional que marca o encerramento do ano. Enquanto parte da população revisita metas, planeja 2026 e celebra conquistas, outra fatia enfrenta tristeza, nostalgia, irritabilidade e dificuldade de lidar com a pressão simbólica desse período.
Segundo o psicólogo cognitivo comportamental e neurocientista Jefferson Morel, dezembro é tradicionalmente um dos meses com maior procura por atendimento psicológico. “Muitas pessoas nos procuram com crises de ansiedade e depressão, e em quem já tem diagnóstico de transtornos mentais observamos um aumento significativo de crises severas”, explica.
Morel destaca que o final do ano funciona como um marco psicológico poderoso. Metas não concluídas, decisões adiadas e frustrações acumuladas entram em choque com a expectativa coletiva de alegria e produtividade.
“O excesso de estímulos emocionais coloca o organismo em estado de alerta contínuo. O cortisol sobe, o sono perde qualidade e a memória de trabalho fica sobrecarregada. Isso leva a sintomas como irritabilidade, dificuldade de concentração e cansaço extremo”, detalha o neurocientista.
Redes sociais amplificam a pressão emocional
As redes sociais desempenham um papel decisivo nesse cenário, reforça Morel. “As pessoas publicam apenas momentos felizes, retrospectivas positivas e celebrações idealizadas. Essa comparação silenciosa gera frustração e a sensação de que é preciso corresponder a um padrão irreal de felicidade”, analisa.
O período também pode reabrir feridas familiares. Festas de fim de ano aproximam pessoas que, muitas vezes, têm conflitos antigos, laços rompidos ou convivências difíceis.
Essa proximidade forçada pode desencadear sentimentos reprimidos, como raiva, angústia e aversão.
Como prevenir a ‘doença de dezembro’
Para Jefferson Morel, o primeiro passo é desmistificar a ideia de felicidade perfeita. “Ninguém é feliz 24 horas por dia. Ter altos e baixos faz parte da vida. Essa felicidade obrigatória que vemos nas festas e nas redes sociais é, muitas vezes, uma construção artificial”, afirma.
O especialista recomenda priorizar eventos que tragam bem-estar e evitar ambientes que drenam energia como aqueles marcados por competição, fofocas ou tensão social. Outras estratégias importantes incluem:
- saber dizer ‘não’ a convites e obrigações excessivas
- identificar limites pessoais
- reservar pausas e momentos de descanso durante a semana





