Primeira etapa terá investimento de R$ 1,3 milhão na recuperação do casarão Wanderley & Bais; restauração do acervo dependerá de novos recursos.
Da Redação

A Prefeitura de Corumbá iniciou o processo para restaurar o Museu de História do Pantanal (Muhpan), começando pelo histórico edifício Wanderley & Bais. Construído em 1876, o casarão rosa está localizado no Porto Geral e integra o conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A licitação para a primeira etapa da obra foi aberta pela prefeitura. A recuperação do prédio está orçada em R$ 1,3 milhão, recurso assegurado por meio de emenda parlamentar do senador Nelsinho Trad. Em uma segunda fase, ainda sem data definida, deverá ser restaurado o acervo do museu, parcialmente danificado.
Instalado no local há 18 anos, o Muhpan funciona de forma precária, de segunda a sexta-feira, devido ao grave estado de conservação do casarão de dois andares e do conjunto de peças, documentos e registros históricos.
“Encontramos um depósito de lixo”, relatou a diretora-presidente da Fundação de Cultura de Corumbá, Wanessa Rodrigues, ao lembrar a primeira visita realizada ao museu, em março de 2025, ao lado de integrantes do Conselho Municipal de Cultura. Na ocasião, o prédio estava fechado e havia registros de furtos de equipamentos e materiais expostos.
Acervo ainda aguarda recursos
A restauração do acervo dependerá da captação de recursos públicos, estaduais ou federais, ou de investimentos privados. Uma das alternativas avaliadas é a utilização da Lei Rouanet. A intervenção está estimada em aproximadamente R$ 4 milhões, devido ao estado de conservação da coleção, que retrata cerca de oito mil anos de ocupação humana no Pantanal.
“Na realidade, o museu nunca teve manutenção desde a sua instalação, em 2008, mas a situação causada por descaso e omissão se agravou após 2020, quando o município assumiu a sua gestão”, afirmou Wanessa Rodrigues.
Segundo a diretora-presidente, o museu continuará funcionando durante a reforma. A parte mais complexa da obra ficará concentrada no último andar, atualmente interditado.
Ao assumir a prefeitura, em 2025, Gabriel Alves de Oliveira se comprometeu a intervir inicialmente na estrutura do imóvel. Levantamentos técnicos identificaram infiltrações, instalações hidráulicas e elétricas danificadas e equipamentos furtados. No terceiro piso, onde está localizada a área tecnológica, goteiras provocadas pelos danos no telhado, também atingido por cupins, comprometeram peças e obras de arte.
História do museu
A implantação do Muhpan ocorreu durante a reurbanização do Porto Geral e a recuperação do casario histórico pelo Programa Monumenta, na primeira década deste século.
Projetado pela Fundação Barbosa Rodrigues, de Campo Grande, o museu ampliou sua concepção inicial ao reunir um valioso conjunto de peças arqueológicas e artísticas resgatadas no Brasil e no exterior.
O projeto de restauração do prédio foi elaborado pela Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (Fuphan). A proposta contempla a reforma geral e a manutenção do imóvel, que possui 1.208,04 metros quadrados de área construída, incluindo um terraço.
Intervenções previstas
As obras incluem a recuperação da cobertura, melhorias no sistema de drenagem pluvial, reforma das instalações hidrossanitárias e conservação de esquadrias, gradis, corrimãos e guarda-corpos.
O projeto também prevê a substituição de estruturas danificadas do telhado, impermeabilização das lajes, correção de infiltrações e adequação da drenagem do prédio.
Nos ambientes internos, serão substituídos pisos e revestimentos danificados. Os sanitários passarão por adequações, incluindo a reforma do banheiro acessível, com instalação de novas louças, metais e barras de apoio. O elevador também deverá ser consertado.
Nas fachadas, serão executados serviços de pintura e restauração de portas, portais e janelas, além da recuperação de elementos metálicos e de madeira. Estão previstas ainda a instalação de gradil metálico e adequações nas proteções das áreas abertas.
Recentemente, o prédio recebeu iluminação externa, que passou a valorizar sua fachada e a arquitetura histórica voltada para o Rio Paraguai.





