19/08/2026 07:10

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Casas Bahia fecha sete lojas em MS e atinge cerca de 130 trabalhadores

Unidades foram encerradas em seis cidades; grupo pede recuperação judicial com passivo de R$ 17,3 bilhões.

Da Redação

Loja das Casas Bahia no Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande, foi uma das sete unidades fechadas em MS (Foto: Divulgação)

O fechamento de sete lojas das Casas Bahia em Mato Grosso do Sul atingiu aproximadamente 130 trabalhadores, segundo informações de sindicatos laborais que acompanham a situação. As unidades encerradas estavam distribuídas por seis municípios do Estado.

Dourados foi a cidade mais afetada, com o fechamento de duas lojas. Também foram encerradas unidades em Campo Grande, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Três Lagoas.

Na Capital, o encerramento atingiu somente a filial localizada no Shopping Bosque dos Ipês. As demais lojas da rede em Campo Grande continuam funcionando.

Os fechamentos em Mato Grosso do Sul fazem parte de uma redução mais ampla da estrutura física do Grupo Casas Bahia. Em todo o País, a companhia encerrou 298 lojas consideradas menos rentáveis e promoveu cortes no quadro de funcionários.

Segundo a empresa, a seleção das unidades levou em consideração o desempenho operacional, a necessidade de capital e o retorno econômico diante do custo financeiro atual. A varejista também informou que está revisando contratos, despesas, investimentos, estoques e sua estratégia de vendas pelos canais digitais.

A redução da estrutura ocorre paralelamente ao pedido de recuperação judicial protocolado pelo Grupo Casas Bahia na Justiça de São Paulo. A companhia declarou passivos de R$ 17,3 bilhões e afirma que a medida busca reorganizar suas dívidas e preservar as operações.

O processo abrange a Casas Bahia e outras nove empresas do conglomerado. Do valor apresentado à Justiça, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com cerca de 19,4 mil credores quirografários, que não possuem garantias.

O passivo inclui ainda R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.

A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, cerca de R$ 9,1 bilhões foram relacionados a efeitos contábeis não recorrentes, como baixas de ágio, impostos diferidos e contingências. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou próximo de R$ 978 milhões.

A Casas Bahia atribui o agravamento de sua situação financeira à combinação de juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros, enfraquecimento do consumo e pressão sobre o capital de giro. A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de obtenção de recursos que estavam em negociação.

Em 2024, o grupo já havia recorrido à recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. A medida, contudo, não foi suficiente para afastar a pressão sobre o caixa.

Segundo Aislan Campos Rocco, sócio da Barroso Advogados Associados e especialista em Falência e Recuperação de Empresas, uma companhia pode manter receitas e operações relevantes, mas perder a capacidade de administrar simultaneamente dívidas, capital de giro e compromissos com fornecedores.

“Cada vez mais, vemos grupos estruturados sucumbirem não por falta de operação, mas porque não dispõem de tempo para reagir quando a confiança se rompe e a liquidez desaparece de forma abrupta”, afirmou.

Para o advogado, a recuperação judicial permite centralizar as negociações e submeter os credores a regras coletivas, evitando que cobranças individuais aumentem a pressão financeira sobre a empresa.

“A recuperação judicial não existe para postergar obrigações, mas para reorganizar o passivo sob regras coletivas, interromper a corrida desordenada e devolver um mínimo de racionalidade econômica ao conflito”, explicou.

O pedido ainda precisa ser analisado pela Justiça. Caso o processamento da recuperação seja autorizado, o grupo deverá apresentar um plano para o pagamento dos credores, que será submetido às regras previstas na legislação e à deliberação das classes envolvidas.

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