Plantio deve ocupar 4,87 milhões de hectares, mas produção pode cair 8,4% em 2026/27
Da Redação

A área destinada à soja em Mato Grosso do Sul na safra 2026/27 deverá superar, em extensão, todo o território do Espírito Santo. A projeção inicial é de 4,874 milhões de hectares cultivados, equivalentes a 48,74 mil quilômetros quadrados, enquanto o estado capixaba possui pouco mais de 46 mil quilômetros quadrados.
A estimativa da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) representa crescimento de 5,5% sobre a área da safra anterior. Apesar da expansão, a previsão inicial aponta para uma colheita menor no novo ciclo.
A produção está estimada em 15,331 milhões de toneladas, queda de 8,4% em relação à safra 2025/26, quando Mato Grosso do Sul produziu 16,7 milhões de toneladas.
A diferença está na produtividade esperada. Na temporada passada, as lavouras produziram, em média, 60,4 sacas por hectare. Para 2026/27, a estimativa inicial é de 52,4 sacas, redução de 13,2%.
O plantio da nova safra começou nesta quarta-feira (16) no Estado. As projeções ainda poderão ser alteradas ao longo do ciclo, principalmente em função das condições climáticas encontradas durante o desenvolvimento das lavouras.
Mais 250 mil hectares
Mato Grosso do Sul cultivou aproximadamente 4,6 milhões de hectares de soja na safra 2025/26. Se confirmada a projeção para o novo ciclo, serão acrescentados cerca de 250 mil hectares à área destinada à cultura.
A expansão mantém a trajetória de aumento da área ocupada pela soja, mas ocorre em um cenário de maior atenção aos custos de produção, disponibilidade de crédito e produtividade por hectare.
Para o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, as condições atuais exigem planejamento das propriedades antes e durante a implantação das lavouras.
“O produtor precisa olhar para cada hectare de forma estratégica. Em um cenário de maior dificuldade de acesso ao crédito, eficiência não é apenas buscar mais produtividade, mas também produzir com racionalidade, aproveitando melhor os recursos disponíveis e tomando decisões baseadas em planejamento e acompanhamento técnico”, afirmou.
Entre os fatores considerados na condução da safra estão gestão de custos, conservação do solo, tecnologia, eficiência operacional e manejo das áreas já incorporadas ao sistema produtivo.
Clima pode alterar projeções
O comportamento do clima ao longo dos próximos meses será determinante para confirmar ou modificar as estimativas iniciais de produtividade e produção.
A disponibilidade de água durante o desenvolvimento das plantas e o momento escolhido para a semeadura estão entre as variáveis que influenciam diretamente o potencial produtivo das lavouras.
“O resultado dependerá das condições encontradas ao longo do ciclo. O posicionamento da semeadura e a disponibilidade hídrica são fatores fundamentais”, explicou Balta.
Por isso, embora a área plantada já tenha uma estimativa inicial, os números de produtividade e produção poderão ser revisados conforme o avanço da safra e as condições meteorológicas registradas nas principais regiões produtoras.
Crédito rural recua
Outro componente do cenário para a safra 2026/27 é a disponibilidade de financiamento para os produtores.
Em julho deste ano, Mato Grosso do Sul registrou R$ 1,006 bilhão em contratações de crédito rural, redução de 15,75% na comparação com julho de 2025.
No acumulado da disponibilidade de crédito rural no ciclo 2025/26, a retração chegou a 20,6% em relação ao período 2024/25, segundo os dados apresentados pela Aprosoja/MS.
A redução do crédito pode interferir nas decisões relacionadas à compra de insumos, investimentos e adoção de tecnologias nas propriedades.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, fatores como financiamento, custos, clima e produtividade estarão entre os principais componentes do resultado da temporada.
“Começamos mais uma safra com a força e a capacidade de produção do produtor sul-mato-grossense, mas também com desafios que precisam ser considerados desde o planejamento. Crédito, clima, custos e produtividade estão diretamente ligados ao resultado dentro da porteira. Por isso, é fundamental que o produtor tenha informação e condições para tomar decisões cada vez mais estratégicas”, afirmou.
Com 4,874 milhões de hectares previstos para receber soja, Mato Grosso do Sul inicia a safra 2026/27 ampliando novamente a área cultivada. A confirmação do volume de 15,331 milhões de toneladas, entretanto, dependerá principalmente da produtividade obtida ao longo do ciclo.




