Primeira unidade do Estado reunirá cirurgia e reabilitação no mesmo local e ampliará atendimento especializado pelo SUS
Da Redação

Mato Grosso do Sul passará a contar com um novo modelo de atendimento especializado para crianças e adolescentes com deficiência. A APAE de Campo Grande concluiu a construção do primeiro hospital do Estado voltado exclusivamente à assistência cirúrgica desse público, reunindo em uma única estrutura todas as etapas do tratamento, desde o diagnóstico e a avaliação cirúrgica até a cirurgia, recuperação e reabilitação. A expectativa é ampliar o acesso aos procedimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuir para reduzir a fila de cirurgias eletivas em outras unidades hospitalares.
A solenidade de conclusão da obra foi realizada nesta quarta-feira (2), marcando uma nova etapa na trajetória da instituição, que há 59 anos atua nas áreas de saúde, educação e assistência social. O projeto começou a ser estruturado em 2019 e amplia a linha de cuidado da APAE de Campo Grande, que passa a oferecer atendimento hospitalar especializado.
O principal diferencial da unidade será concentrar todo o tratamento em um único local. Após o diagnóstico e a avaliação clínica, o paciente realizará a cirurgia, o acompanhamento pós-operatório e a reabilitação no Centro Especializado em Reabilitação e Oficina Ortopédica (CER/APAE), evitando deslocamentos entre diferentes serviços e garantindo maior continuidade ao cuidado.
Para o presidente da APAE de Campo Grande, Luiz Cesar Nocera, o hospital foi concebido justamente para oferecer esse atendimento integrado. “Esse hospital foi pensado de uma maneira que a criança e o adolescente que necessitem de cirurgia façam todo o procedimento apenas em um único local, conosco, que também fazemos a reabilitação. É um diferencial que estamos oferecendo e que trará um resultado muito significativo. Era um sonho nosso, que nós nos empenhamos, buscamos parceria e hoje entregamos essa obra.”
Nocera também destacou a participação dos parceiros que contribuíram para transformar o projeto em realidade. “Agradecemos a sensibilidade do deputado Geraldo Resende, que compreendeu a importância desse hospital e sua disposição em abraçar essa causa fez toda a diferença. Estendo minha gratidão a todas as autoridades municipais, estaduais e federais que acreditaram nesta iniciativa e contribuíram para que ela se tornasse realidade. Cada apoio recebido foi essencial para chegarmos até aqui.”
Atendimento integrado deve ampliar acesso a cirurgias
Na fase inicial de funcionamento, o hospital terá como foco a ortopedia pediátrica. Serão realizados procedimentos para correção de pé torto congênito, deformidades ósseas e articulares, sequelas de paralisia cerebral e outras condições musculoesqueléticas que comprometem a mobilidade e a funcionalidade das crianças.
A estrutura conta com dez apartamentos destinados à internação cirúrgica de curta permanência, duas salas cirúrgicas para procedimentos de maior complexidade, uma sala para pequenas cirurgias, consultórios especializados para avaliação pré e pós-operatória, sala de gesso, além de equipamentos como raio-X digital e ultrassom de alta resolução.
A capacidade operacional inicial será de até 60 cirurgias ortopédicas por mês, ampliando a oferta de procedimentos especializados pelo SUS e contribuindo para reduzir a demanda reprimida por cirurgias eletivas no Estado.
Representando o Governo do Estado, o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que a unidade também terá papel importante no fortalecimento da rede pública. “Trata-se de um hospital focado em procedimentos de pequena e baixa complexidade. Ele certamente ajudará a desafogar os demais hospitais. O hospital da APAE está relacionado a uma entidade que historicamente já presta um serviço de reabilitação, onde o paciente poderá fazer a cirurgia, a reabilitação e todo o tratamento necessário em uma única unidade.”
A cerimônia reuniu autoridades, parceiros e representantes da sociedade civil que acompanharam a conclusão de um projeto iniciado há seis anos. Presidente da Federação das APAEs de Mato Grosso do Sul, Antônio José dos Santos Neto lembrou que a proposta surgiu quando presidia a APAE de Campo Grande.
“Hoje é um daqueles dias que entram para a história. Um dia que ficará marcado na memória de todos nós, porque representa muito mais do que a entrega de um prédio. Representa a concretização de um sonho construído com dedicação, coragem e, acima de tudo, união.”
Segundo ele, o legado da unidade será medido pelo impacto na vida das famílias atendidas. “Naquela época acreditávamos que era possível oferecer um atendimento ainda mais especializado às crianças e adolescentes com deficiência do nosso Estado. Hoje entregamos uma estrutura preparada para acolher, cuidar e oferecer dignidade. Mas o verdadeiro valor deste hospital não está nas paredes ou nos equipamentos, está nas vidas que serão transformadas daqui para frente.”
Responsável pela emenda parlamentar que viabilizou a construção da unidade, o deputado federal Geraldo Resende classificou a entrega do hospital como um dos momentos mais marcantes de sua trajetória.
“Estou sentindo um dos momentos mais importantes da minha vida. Já tenho 71 anos e estou na atividade política há muito tempo e hoje posso celebrar o compromisso que carrego desde os bancos da universidade. Esse hospital é para aqueles que necessitam e para aqueles que são mais vulneráveis.”
Investimento supera R$ 7,8 milhões
A construção do hospital recebeu investimento de R$ 7.814.054,02. Desse total, R$ 7 milhões foram destinados por meio de emenda parlamentar do deputado federal Geraldo Resende e aplicados integralmente na obra. A diferença foi custeada com recursos próprios da APAE de Campo Grande.
A instituição ainda aguarda a liberação de uma nova emenda de R$ 1 milhão, também destinada por Geraldo Resende, para a aquisição dos equipamentos médico-hospitalares necessários ao início das atividades.
Com a conclusão da obra, a APAE de Campo Grande amplia sua atuação na assistência especializada e entrega a Mato Grosso do Sul uma estrutura inédita para o atendimento de crianças e adolescentes com deficiência. Ao integrar cirurgia, recuperação e reabilitação em uma única unidade, o hospital fortalece a rede pública de saúde, amplia o acesso ao tratamento especializado e estabelece um novo modelo de cuidado centrado na continuidade da assistência e na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.





