04/09/2026 06:37

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HU-UFGD reforça acolhimento e direitos no combate à violência contra mulher

Programa Acalento oferece atendimento sigiloso a vítimas de violência sexual em Dourados.

Da Redaç~~ao

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) reforçou, durante o Agosto Lilás, as ações de conscientização e os serviços de atendimento às pessoas em situação de violência sexual.

A campanha de 2026 coincide com os 20 anos da Lei Maria da Penha, criada para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Dados da Rede de Observatórios da Segurança mostram que, em média, 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência por dia em 2025, considerando os nove estados pesquisados pela organização.

Administrado pela HU Brasil, o HU-UFGD oferece atendimento especializado por meio do Programa Acalento. O serviço conta com uma Sala Lilás estruturada para proporcionar acolhimento humanizado, sigiloso e especializado.

Desenvolvido em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, o programa busca concentrar no hospital o atendimento inicial e a assistência necessária, evitando que a pessoa precise percorrer diferentes órgãos.

Atendimento funciona 24 horas

O serviço atende pessoas que sofreram violência sexual nas últimas 72 horas. O acolhimento inicial é feito pela equipe de enfermagem e, de acordo com a idade, a avaliação médica fica sob a responsabilidade das equipes de ginecologia ou pediatria.

“São realizados os exames previstos no protocolo, a administração de medicamentos para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, e, quando indicada, a contracepção de emergência”, explica a chefe da Unidade de Saúde da Mulher do HU-UFGD, Crislaine da Silva Nantes.

Durante o período diurno, também são acionadas as equipes de psicologia e serviço social. Após o atendimento inicial, a pessoa recebe orientações e é encaminhada para acompanhamento na rede de saúde e proteção social.

O serviço é destinado a mulheres de todas as idades, homens trans e crianças do sexo masculino com menos de 12 anos que tenham sofrido violência sexual nas últimas 72 horas.

“Trata-se de um serviço de porta aberta, que funciona 24 horas, todos os dias da semana. Portanto, não é necessário encaminhamento ou agendamento prévio”, afirma Crislaine.

A pessoa adulta pode receber assistência médica mesmo que não queira registrar boletim de ocorrência. O documento não é exigido para o atendimento nem para o acesso às medidas preventivas.

Atendimento deve ser procurado o mais rapidamente possível

Em situações de violência sexual, a orientação é buscar um serviço de saúde o mais rapidamente possível, preferencialmente nas primeiras 72 horas.

Segundo a assistente social Joyce Florencio Torquatro Mendonça, integrante do Programa Acalento, esse período é importante para a realização de exames e a adoção de medidas preventivas.

“Esse período possibilita a adoção imediata de medidas de cuidado e proteção, a realização da profilaxia, além da avaliação médica e das condutas necessárias após a violência sexual”, esclarece.

Quando a violência tiver ocorrido há mais de 72 horas, a orientação do programa é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação, acompanhamento e encaminhamento aos demais serviços da rede.

“A pessoa não deve deixar de buscar ajuda por medo, vergonha ou por não desejar registrar boletim de ocorrência. Ela não é culpada pela violência sofrida e tem direito a um atendimento digno, sigiloso e sem julgamentos”, ressalta Crislaine.

Bancos Vermelhos estimulam conscientização

As ações do Agosto Lilás ganharam o reforço de três Bancos Vermelhos instalados no HU-UFGD. Eles estão localizados na Unidade da Mulher e da Criança, em frente à recepção de internação e na entrada destinada aos funcionários.

A iniciativa faz parte de uma mobilização internacional que utiliza o banco vermelho como símbolo de conscientização e memória das vítimas da violência de gênero.

Instalados em junho, durante a Semana Estadual de Combate ao Feminicídio, os bancos buscam incentivar pacientes, acompanhantes, estudantes, residentes, trabalhadores e visitantes a refletirem sobre a responsabilidade coletiva no enfrentamento da violência.

A comunidade hospitalar também participou da criação de um painel colaborativo com mensagens sobre respeito, prevenção e acolhimento.

Violência pode assumir diferentes formas

A violência contra a mulher pode ser física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Em situações mais graves, pode culminar em feminicídio.

Além da proteção prevista pela Lei Maria da Penha, as mulheres têm direito ao atendimento médico de emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apoio psicológico e social, Profilaxia Pós-Exposição (PEP), sigilo, privacidade, proteção contra a revitimização, assistência jurídica gratuita e medidas protetivas contra o agressor.

Nos casos previstos em lei, também é garantido o acesso à interrupção legal da gestação.

Embora o boletim de ocorrência não seja uma condição para o atendimento hospitalar, as pessoas são orientadas sobre os canais disponíveis para denúncia e proteção, como as delegacias, a Polícia Militar, pelo telefone 190, e a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180.

Também podem ser procurados os núcleos da Defensoria Pública, do Ministério Público e a plataforma Fala.BR.

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