Previsão indica temperaturas acima da média e mais ondas de calor entre a primavera e o início do verão.
Anderson Viegas

Mato Grosso do Sul deve enfrentar uma primavera marcada por temperaturas acima da média e ondas de calor mais frequentes. Monitoramento do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) aponta 100% de probabilidade de atuação do El Niño entre setembro e novembro, com 93% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte.
Os 7% restantes correspondem à possibilidade de um El Niño forte. Para o trimestre entre outubro e dezembro, a chance de o fenômeno alcançar intensidade muito forte sobe para aproximadamente 95%, enquanto a possibilidade de intensidade forte fica em torno de 5%.
Os percentuais constam no Monitoramento Mensal das Secas de julho, elaborado pela equipe técnica do Cemtec e divulgado em agosto. A previsão utiliza informações da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos).
O Centro de Previsão Climática da NOAA informou que o El Niño está se fortalecendo e deve continuar avançando até o fim do ano. O órgão norte-americano calcula probabilidade superior a 90% de um evento muito forte durante o outono e o inverno no Hemisfério Norte, períodos que correspondem à primavera e ao verão no Brasil.
Para Mato Grosso do Sul, os impactos indicados pelo Cemtec incluem temperaturas acima da média climatológica, ondas de calor mais frequentes e maior influência do fenômeno entre a primavera e o começo do verão.
O relatório ressalta, entretanto, que o El Niño atua de maneira indireta e interage com outros sistemas atmosféricos. A intensidade do fenômeno aumenta a possibilidade de determinados impactos, mas não define isoladamente como serão as condições do tempo em cada região.
A projeção para setembro, outubro e novembro indica um trimestre predominantemente aquecido em Mato Grosso do Sul. As temperaturas devem ficar acima da média histórica, cuja referência varia de 22°C a 26°C, conforme a região.
Para as chuvas, a previsão aponta acumulados acima da média climatológica, com volumes de referência entre 200 e 500 milímetros no trimestre. A distribuição deverá variar entre as diferentes regiões do Estado.
Estado já enfrenta calor, baixa umidade e seca
A previsão de intensificação do El Niño ocorre em um momento no qual Mato Grosso do Sul já registra calor, baixa umidade e persistência da estiagem em parte do território. O relatório, porém, não atribui diretamente essas condições ao fenômeno.
Em julho, as temperaturas variaram de 0,4°C, em Iguatemi, a 38,3°C, em Corumbá. A umidade relativa do ar chegou a 12% em Amambai, enquanto a maior rajada de vento alcançou 88,2 quilômetros por hora em Caracol, na Fazenda Ouro e Prata.
As chuvas apresentaram forte variação pelo Estado, com acumulados entre zero e 136,4 milímetros. Predominou o déficit de precipitação, principalmente nas regiões norte, nordeste e pantaneira, onde algumas estações registraram volumes entre 95% e 100% abaixo da média histórica.
O monitoramento classificou 15 municípios com seca fraca: Selvíria, Aparecida do Taboado, Miranda, Inocência, Paraíso das Águas, São Gabriel do Oeste, Aquidauana, Figueirão, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim, Paranaíba, Cassilândia, Chapadão do Sul, Corumbá e um município identificado no relatório como “Mato Grosso”. Ladário foi enquadrado em condição de seca moderada.
Apesar da permanência do déficit, os índices analisados pelo Cemtec apontaram redução da intensidade da seca em comparação com junho, principalmente na região central. As áreas mais críticas continuam no nordeste e no Bolsão, onde persistem déficits acumulados em períodos de seis a 12 meses.
Chuva ficou concentrada em parte do Estado
Enquanto municípios do norte, nordeste e Pantanal enfrentaram falta de chuva, as regiões central, leste e sudeste registraram os maiores volumes em julho, com acumulados entre 40 e 120 milímetros.
Em Campo Grande, o pluviômetro automático da UFMS marcou 136,4 milímetros, o maior volume observado no Estado. O total ficou 282% acima da média esperada para o mês naquele ponto de medição.
Nhumirim, na região da Nhecolândia, registrou volume 245% superior à média. Também foram observados excedentes em Mundo Novo, com 123%, e Itaquiraí, com 107%.
O Cemtec destaca que essa distribuição irregular produziu um contraste entre a metade norte e oeste, mais seca, e as áreas sul e central, que receberam os maiores acumulados.





