22/07/2026 19:14

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Documentário resgata legado de Higa e preserva a memória de Mato Grosso do Sul

Filme acompanha fotógrafo que registrou por décadas a formação do Estado e estreia na mostra competitiva do Bonito Cinesur.

Da Redação

Roberto Higa registrou por mais de quatro décadas a história, a cultura e as transformações de Mato Grosso do Sul; agora, sua trajetória inspira o documentário Higa Ke – Olho por Olho, em exibição no Bonito Cinesur (Foto: Divulgação).

“O velho fotógrafo está perdendo a memória.” Foi dessa constatação que nasceu Higa Ke – Olho por Olho, documentário de longa-metragem que acompanha o fotojornalista Roberto Higa, um dos principais nomes da fotografia em Mato Grosso do Sul. Enquanto enfrenta o avanço do Alzheimer, o profissional revisita sua trajetória pessoal e profissional, em um filme que transforma sua história em uma reflexão sobre memória, identidade e preservação cultural.

Com direção de Conrado Roel e Débora Bah, o documentário será exibido no próximo domingo (26), às 16h30, no Auditório Terena, durante a Mostra Competitiva de Filme Sul-Mato-Grossense do Bonito Cinesur.

Mais do que contar a biografia de um fotógrafo, a produção evidencia a importância do acervo construído por Higa ao longo de mais de quatro décadas de trabalho. Suas imagens registraram momentos marcantes da formação de Mato Grosso do Sul, a transformação urbana de Campo Grande, manifestações culturais, personagens populares e o cotidiano de uma região marcada pelo encontro de diferentes povos e tradições.

O contraste entre a perda gradual da memória do fotógrafo e a permanência de suas imagens conduz a narrativa do longa. Enquanto o Alzheimer apaga lembranças individuais, o acervo fotográfico preserva parte significativa da memória coletiva do Estado.

Produção levou mais de uma década

Produzido ao longo de mais de dez anos, Higa Ke – Olho por Olho foi construído a partir da convivência contínua entre os diretores e Roberto Higa. Em vez de apenas registrar acontecimentos, o documentário acompanha o passar do tempo, os silêncios, os esquecimentos e as relações afetivas entre o fotógrafo, sua família e o território onde construiu sua trajetória.

Com 84 minutos de duração, o filme dialoga com o gênero do filme-ensaio ao abordar temas como envelhecimento, memória, identidade e permanência cultural, tendo como pano de fundo uma região de fronteira ainda pouco representada na produção cinematográfica brasileira.

Homenagem à memória

Além de retratar a trajetória de Roberto Higa, o documentário presta homenagem a profissionais que dedicam suas vidas à preservação da memória por meio da fotografia e reafirma a relevância da produção cultural realizada fora dos grandes centros do país.

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