22/07/2026 19:20

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Dependente das rodovias, MS precisa diversificar sua logística aponta estudo

Com 80% da produção escoada por caminhões, Estado precisa investir em ferrovia, hidrovia e armazenagem.

Da Redação

Caminhões ainda são responsáveis por cerca de 80% do escoamento dos grãos produzidos em Mato Grosso do Sul, evidenciando a forte dependência do modal rodoviário no Estado (Foto: Famasul/Divulgação).

Mato Grosso do Sul consolidou-se entre os principais produtores de grãos do Brasil, mas ainda enfrenta um obstáculo que limita sua competitividade: a forte dependência do transporte rodoviário. Atualmente, cerca de 80% da produção agrícola do Estado é escoada por caminhões, enquanto a ferrovia responde por menos de 2% e a hidrovia pela parcela restante, configurando uma das matrizes logísticas mais concentradas no modal rodoviário entre os grandes estados produtores do país. O diagnóstico integra o Informativo Econômico 08/2026, divulgado pela Aprosoja/MS com base em dados de órgãos oficiais e entidades do setor.

O levantamento destaca que o Estado ocupa atualmente a quinta posição nacional na produção de soja e a quarta colocação no milho de segunda safra, respondendo por aproximadamente 8% da produção brasileira de grãos. Apesar desse avanço, a infraestrutura logística não acompanhou o crescimento da atividade agrícola, aumentando os custos de transporte, pressionando a malha rodoviária e reduzindo a competitividade dos produtores sul-mato-grossenses diante de concorrentes nacionais e internacionais.

Modal rodoviário ainda domina

Segundo o estudo, o desequilíbrio da matriz logística é hoje um dos principais entraves ao desenvolvimento do agronegócio estadual. A meta do Governo do Estado é reduzir a participação das rodovias para 50% do escoamento, ampliando a utilização de ferrovias e hidrovias para 25% cada, diversificando os corredores de transporte e reduzindo a dependência dos caminhões.

Na avaliação apresentada pelo relatório, o problema não está apenas na qualidade das estradas, mas principalmente na falta de alternativas logísticas. Embora ferrovia e hidrovia sejam estruturalmente mais baratas que o transporte rodoviário, grande parte dos produtores não consegue acessar esses modais devido à infraestrutura insuficiente, à baixa oferta de terminais de transbordo e à limitada cobertura ferroviária no Estado.

Investimentos são apontados como prioridade

Entre as obras consideradas estratégicas para reduzir os custos logísticos estão a duplicação de trechos da BR-163, a relicitação e modernização da Malha Oeste, a implantação da Ferrovia Maracaju–Paraná (Nova Ferroeste), a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os investimentos vinculados à Rota Bioceânica, que deverá criar um novo corredor de exportação ligando Mato Grosso do Sul aos portos do Chile.

O estudo também chama atenção para outro gargalo: a armazenagem. A capacidade estática instalada no Estado comporta apenas 58,5% da produção de soja e milho, gerando um déficit estimado em 11,6 milhões de toneladas. Na prática, muitos produtores acabam vendendo a safra imediatamente após a colheita ou utilizam caminhões como armazenamento temporário, aumentando ainda mais a pressão sobre a logística durante os períodos de maior movimentação.

Competitividade depende da execução dos projetos

Na conclusão, o relatório afirma que Mato Grosso do Sul reúne condições para consolidar uma matriz logística mais eficiente, mas ressalta que os ganhos econômicos dependerão da efetiva execução dos investimentos previstos. Entre as prioridades estão a modernização da Malha Oeste, a implantação da concessão da Hidrovia do Paraguai, a conclusão das obras da BR-163 e o avanço da Rota Bioceânica.

Segundo a Aprosoja/MS, reduzir a dependência das rodovias é condição essencial para diminuir os custos de escoamento, ampliar a competitividade dos grãos sul-mato-grossenses e sustentar o crescimento da produção nos próximos anos.

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