Fórum Econômico Mundial prevê saldo positivo de vagas, enquanto empresas aceleram busca por profissionais qualificados
Da Redação

A inteligência artificial não deve provocar um apagão no mercado de trabalho global, mas acelerar uma das maiores transformações já vistas nas carreiras profissionais. Até 2030, a economia mundial deverá criar 170 milhões de novos empregos e eliminar 92 milhões, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de vagas. A contrapartida é que quase um quarto das ocupações atuais será transformado e quatro em cada dez competências exigidas pelas empresas deverão mudar nos próximos anos.
As projeções fazem parte do Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, elaborado a partir da consulta a mais de mil empregadores de 55 economias, que representam cerca de 14 milhões de trabalhadores. O levantamento aponta que mudanças tecnológicas, transição energética, transformações demográficas e pressões econômicas estão redesenhando o mercado de trabalho em ritmo acelerado.
Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria e PhD pela Unicamp, o principal erro é concentrar o debate apenas nas profissões que desaparecerão. “O emprego cresce. O que muda é sua composição, e é justamente aí que as decisões de carreira passam a fazer diferença”, afirma.
A mudança será nas competências, não apenas nas profissões
Segundo o relatório, 22% dos empregos atuais sofrerão algum tipo de transformação até o fim da década. Mais significativa ainda será a mudança nas competências exigidas pelas empresas: 39% das habilidades utilizadas hoje precisarão ser atualizadas ou substituídas.
Na avaliação de Virgilio, esse movimento já está em andamento. Ele observa que a velocidade da transformação diminuiu em relação aos primeiros anos da década, reflexo dos investimentos em qualificação realizados por empresas e trabalhadores. Ainda assim, quem permanece preso às competências tradicionais tende a perder competitividade.
Nesse cenário, o aprendizado contínuo deixa de ser diferencial para se tornar requisito básico de empregabilidade.
Tecnologia lidera crescimento, mas saúde e educação concentram vagas
As carreiras ligadas à inteligência artificial, big data, engenharia de fintech e desenvolvimento de software aparecem entre as que mais crescerão proporcionalmente até 2030. Ao mesmo tempo, setores tradicionais continuarão concentrando o maior volume absoluto de oportunidades.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, saúde, educação, assistência social, construção civil, vendas e atividades rurais devem responder por milhões de novas vagas nos próximos anos, impulsionadas pelo envelhecimento da população, expansão da infraestrutura e mudanças demográficas.
Para o especialista, observar apenas o avanço das profissões tecnológicas leva a uma leitura incompleta do mercado. “As carreiras de tecnologia crescem muito em termos percentuais, mas os maiores volumes de contratação continuam ocorrendo em setores essenciais da economia.”
Pensar, aprender e se adaptar valerá mais do que decorar conteúdo
O relatório aponta o pensamento analítico como a competência mais valorizada pelas empresas até o fim da década. Na sequência aparecem resiliência, flexibilidade, liderança e capacidade de aprendizagem contínua, habilidades consideradas mais difíceis de substituir pela automação.
Para Virgilio Marques dos Santos, a discussão deixou de ser sobre quais profissões desaparecerão e passou a ser sobre quais profissionais conseguirão acompanhar as mudanças.
Ele compara a chegada da inteligência artificial à popularização das planilhas eletrônicas, que transformaram a rotina dos contadores. Em vez de eliminar a profissão, a tecnologia deslocou o foco do trabalho operacional para atividades de análise e tomada de decisão.
Na avaliação do especialista, o mesmo processo tende a ocorrer em diversos setores da economia. Profissionais que investirem continuamente em atualização terão mais condições de aproveitar as novas oportunidades, enquanto aqueles que demorarem a desenvolver novas competências poderão enfrentar maiores dificuldades para permanecer competitivos em um mercado cada vez mais orientado por tecnologia e inovação.





