22/07/2026 18:04

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IA deve criar 78 milhões de empregos até 2030, mas exigirá novas habilidades

Fórum Econômico Mundial prevê saldo positivo de vagas, enquanto empresas aceleram busca por profissionais qualificados

Da Redação

Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S (Foto: Isaque Martins)

A inteligência artificial não deve provocar um apagão no mercado de trabalho global, mas acelerar uma das maiores transformações já vistas nas carreiras profissionais. Até 2030, a economia mundial deverá criar 170 milhões de novos empregos e eliminar 92 milhões, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de vagas. A contrapartida é que quase um quarto das ocupações atuais será transformado e quatro em cada dez competências exigidas pelas empresas deverão mudar nos próximos anos.

As projeções fazem parte do Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, elaborado a partir da consulta a mais de mil empregadores de 55 economias, que representam cerca de 14 milhões de trabalhadores. O levantamento aponta que mudanças tecnológicas, transição energética, transformações demográficas e pressões econômicas estão redesenhando o mercado de trabalho em ritmo acelerado.

Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria e PhD pela Unicamp, o principal erro é concentrar o debate apenas nas profissões que desaparecerão. “O emprego cresce. O que muda é sua composição, e é justamente aí que as decisões de carreira passam a fazer diferença”, afirma.

A mudança será nas competências, não apenas nas profissões

Segundo o relatório, 22% dos empregos atuais sofrerão algum tipo de transformação até o fim da década. Mais significativa ainda será a mudança nas competências exigidas pelas empresas: 39% das habilidades utilizadas hoje precisarão ser atualizadas ou substituídas.

Na avaliação de Virgilio, esse movimento já está em andamento. Ele observa que a velocidade da transformação diminuiu em relação aos primeiros anos da década, reflexo dos investimentos em qualificação realizados por empresas e trabalhadores. Ainda assim, quem permanece preso às competências tradicionais tende a perder competitividade.

Nesse cenário, o aprendizado contínuo deixa de ser diferencial para se tornar requisito básico de empregabilidade.

Tecnologia lidera crescimento, mas saúde e educação concentram vagas

As carreiras ligadas à inteligência artificial, big data, engenharia de fintech e desenvolvimento de software aparecem entre as que mais crescerão proporcionalmente até 2030. Ao mesmo tempo, setores tradicionais continuarão concentrando o maior volume absoluto de oportunidades.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, saúde, educação, assistência social, construção civil, vendas e atividades rurais devem responder por milhões de novas vagas nos próximos anos, impulsionadas pelo envelhecimento da população, expansão da infraestrutura e mudanças demográficas.

Para o especialista, observar apenas o avanço das profissões tecnológicas leva a uma leitura incompleta do mercado. “As carreiras de tecnologia crescem muito em termos percentuais, mas os maiores volumes de contratação continuam ocorrendo em setores essenciais da economia.”

Pensar, aprender e se adaptar valerá mais do que decorar conteúdo

O relatório aponta o pensamento analítico como a competência mais valorizada pelas empresas até o fim da década. Na sequência aparecem resiliência, flexibilidade, liderança e capacidade de aprendizagem contínua, habilidades consideradas mais difíceis de substituir pela automação.

Para Virgilio Marques dos Santos, a discussão deixou de ser sobre quais profissões desaparecerão e passou a ser sobre quais profissionais conseguirão acompanhar as mudanças.

Ele compara a chegada da inteligência artificial à popularização das planilhas eletrônicas, que transformaram a rotina dos contadores. Em vez de eliminar a profissão, a tecnologia deslocou o foco do trabalho operacional para atividades de análise e tomada de decisão.

Na avaliação do especialista, o mesmo processo tende a ocorrer em diversos setores da economia. Profissionais que investirem continuamente em atualização terão mais condições de aproveitar as novas oportunidades, enquanto aqueles que demorarem a desenvolver novas competências poderão enfrentar maiores dificuldades para permanecer competitivos em um mercado cada vez mais orientado por tecnologia e inovação.

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