Aquisição da unidade de Caarapó eleva capacidade para 8,84 mil m³ por dia e supera a Atvos no Estado.
Anderson Viegas

A Adecoagro assinou contrato para adquirir da Raízen a Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, por R$ 760 milhões (cerca de US$ 148 milhões). Com a operação, anunciada ao mercado na segunda-feira (20), a companhia passa a deter o maior potencial de produção de etanol de cana-de-açúcar do Estado, superando a Atvos e ampliando sua capacidade para 8.840 metros cúbicos por dia.
Segundo o Painel Dinâmico de Produtores de Etanol da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), antes da aquisição a Adecoagro já somava capacidade de produção de 5.200 metros cúbicos por dia em Mato Grosso do Sul, distribuídos entre as usinas de Angélica e Ivinhema.
A unidade de Angélica tem potencial para produzir 2.700 m³/dia, sendo 1.500 m³/dia de etanol hidratado e 1.200 m³/dia de anidro. Em Ivinhema, a capacidade é de 2.500 m³/dia, dos quais 1.900 m³/dia correspondem ao hidratado e 600 m³/dia ao anidro.
Com a incorporação da usina de Caarapó, cuja capacidade é de 3.640 m³/dia, sendo 2.100 m³/dia de hidratado e 1.540 m³/dia de anidro, o potencial produtivo da companhia no Estado sobe para os 8.840 m³ de etanol por dia, considerando os dois combustíveis.
Esse volume supera a capacidade da Atvos, atualmente de 8.500 m³/dia em suas três usinas sul-mato-grossenses. A planta Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul, produz até 3.600 m³/dia (2.700 m³/dia de hidratado e 900 m³/dia de anidro). Já as unidades Eldorado, em Rio Brilhante, e Costa Rica, em Costa Rica, possuem capacidade idêntica de 2.450 m³/dia, sendo 1.700 m³/dia de hidratado e 750 m³/dia de anidro cada.
Aquisição fortalece estratégia regional
Segundo a Adecoagro, o pagamento pela Usina Caarapó será realizado à vista no fechamento da operação. Localizada a aproximadamente 100 quilômetros das unidades de Angélica e Ivinhema, a planta passará a integrar o cluster bioenergético da companhia em Mato Grosso do Sul, voltado à produção de açúcar, etanol hidratado, etanol anidro e energia renovável.
“Vemos a aquisição de Caarapó como uma extensão natural da nossa atual presença industrial em Mato Grosso do Sul. Dada sua proximidade geográfica, a usina será integrada à nossa estratégia de cluster, permitindo processar cana-de-açúcar adicional, compartilhar infraestrutura, gestão e melhores práticas, além de ampliar significativamente o volume de moagem com investimentos controlados”, afirmou o vice-presidente de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, Renato Junqueira Santos Pereira.
A empresa avalia que a aquisição possui lógica estratégica e financeira e deverá gerar valor no longo prazo à medida que a usina for integrada às operações. Segundo a companhia, o ativo deverá contribuir positivamente para o EBITDA ajustado desde o primeiro dia, com ganhos adicionais à medida que forem capturadas sinergias operacionais entre as três unidades localizadas na mesma região.
“Estamos muito satisfeitos com esta transação. A aquisição de Caarapó fortalecerá nossa plataforma de bioenergia e reforçará nossa posição entre os produtores de menor custo da indústria”, afirmou Mariano Bosch, cofundador e CEO da Adecoagro.
A conclusão do negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento das demais condições previstas em contrato. A expectativa é que a operação seja concluída até 1º de outubro de 2026, quando a usina passará oficialmente a integrar o segmento de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro.
Raízen conclui saída de Mato Grosso do Sul
A venda da Usina Caarapó também encerra a presença da Raízen na produção sucroenergética de Mato Grosso do Sul. A companhia, que chegou a operar três usinas no Estado, iniciou em 2025 um programa de desinvestimentos para reduzir o endividamento, simplificar a estrutura operacional e aumentar a rentabilidade dos ativos.
Antes da negociação de Caarapó, a empresa já havia vendido as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, ambas em Rio Brilhante, para a Cocal Agroindustrial por R$ 1,543 bilhão. Além das alienações, outras seis usinas foram colocadas em hibernação como parte do processo de reestruturação financeira.
Milho mantém Inpasa na liderança estadual
Quando também são consideradas as unidades que produzem biocombustível a partir do milho também, a maior capacidade instalada de Mato Grosso do Sul é da Inpasa, conforme a ANP.
A companhia opera duas usinas no Estado. Em Dourados, a unidade tem capacidade para produzir até 6 mil metros cúbicos de etanol por dia, sendo 3 mil m³/dia de etanol hidratado e 3 mil m³/dia de anidro. Já a planta de Sidrolândia adiciona outros 5 mil m³/dia, divididos igualmente entre 2,5 mil m³/dia de hidratado e 2,5 mil m³/dia de anidro. Somadas, as duas unidades alcançam um potencial produtivo de 11 mil metros cúbicos de etanol por dia.





