Setor deve avançar pelo terceiro ano seguido, impulsionado por crédito e investimentos, mas esbarra em juros, custos e baixa produtividade
Da Redação

A construção civil brasileira deve crescer cerca de 2% em 2026 e avançar pelo terceiro ano consecutivo, segundo estimativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O desempenho é impulsionado pela ampliação do crédito imobiliário, pela queda gradual dos juros e por novos investimentos em infraestrutura e habitação, mas ainda convive com entraves estruturais que limitam a eficiência e pressionam os custos do setor.
Apesar do cenário mais favorável, os obstáculos permanecem. A carga tributária, os juros ainda elevados e o custo aliado à escassez de mão de obra qualificada continuam entre os principais problemas.
Para o sócio e diretor de Engenharia, Construção e Real Estate da Falconi, Luiz Gustavo Santos, o principal entrave atual está menos ligado ao ambiente macroeconômico e mais à forma como as empresas operam internamente. “Mesmo diante de um cenário de expansão, muitas incorporadoras ainda enfrentam uma questão central: por que a lucratividade segue pressionada? A resposta está na capacidade de integrar processos e indicadores ao longo de todo o ciclo do empreendimento”, afirma.
O diagnóstico reforça que o setor avança, mas sem ganhos equivalentes de eficiência. Para Santos, mesmo após três anos consecutivos de expansão, a produtividade não avançou no mesmo ritmo, o que evidencia um desafio estrutural.
Na prática, muitas empresas seguem ampliando o volume de obras sem ganhos equivalentes em margem ou previsibilidade de resultados. Dados da CBIC mostram que, em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 5,92%, acima da inflação oficial de 4,26%, com destaque para a alta de 8,98% nos custos de mão de obra.
Segundo o diretor da Falconi, parte desse descompasso está na fragmentação das decisões ao longo do ciclo imobiliário. “Sem um modelo de gestão que conecte planejamento, execução e acompanhamento de resultados, ganhos de mercado podem ser comprometidos por desvios de custo, decisões fragmentadas e falta de visibilidade sobre impactos financeiros”, diz.
Ainda na análise de Luiz Gustavo, gargalos já conhecidos seguem presentes. Problemas como planejamento deficiente de obras, controle de custos e baixa maturidade na gestão da produtividade continuam limitando o desempenho do setor.
Para o executivo, a superação desses desafios passa pela integração entre áreas e uso estratégico de dados. “Indicadores precisam orientar decisões ao longo de todo o empreendimento, com conexão entre planejamento, execução e finanças. Tecnologia ajuda, mas o resultado vem da combinação com governança, processos bem definidos e métricas acionáveis”, afirma.
O desafio, portanto, vai além de crescer. A construção civil entra em um ciclo mais favorável, mas ainda precisa evoluir em eficiência e gestão para transformar expansão em resultados consistentes e sustentáveis.
“A construção tende a manter trajetória positiva em 2026, mas a lucratividade sustentável não decorre apenas do ciclo econômico. Ela depende da disciplina na gestão integrada de processos, métricas e decisões”, conclui Santos.





