02/08/2026 21:56

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Bem-estar pesa mais que promoção para 56% dos líderes brasileiros

Pesquisa ouviu 500 executivos no Brasil; 93% aceitam propostas e 42% buscam uma nova posição.

Da Redação

Executivos passam a considerar bem-estar, flexibilidade e propósito ao avaliar promoções e novas oportunidades profissionais (Foto: Magnific)

Subir na carreira, ocupar um cargo mais alto e receber um salário maior já não definem sozinhos o sucesso profissional para parte da alta liderança brasileira. Uma pesquisa aponta que 56% dos executivos recusariam uma promoção se a mudança comprometesse seu bem-estar.

Os dados fazem parte do recorte brasileiro do estudo Executive Compensation & Talent Trends 2026, elaborado pela Page Executive. O levantamento ouviu 500 executivos C-level e líderes seniores no Brasil e integra uma pesquisa global com mais de 14 mil profissionais de alta liderança.

Entre os entrevistados brasileiros, 50% indicaram o equilíbrio entre vida profissional e pessoal como um dos principais fatores de satisfação no trabalho. O resultado mostra que remuneração e posição hierárquica continuam importantes, mas passaram a dividir espaço com flexibilidade, propósito e qualidade de vida.

“Os líderes mais disputados não estão em busca de uma função mais fácil, mas do ambiente certo para alcançar alta performance. Liderança sólida, alinhamento organizacional e flexibilidade tornaram-se fatores decisivos na disputa por talentos”, afirma Humberto Wahrhaftig, senior partner e diretor da Page Executive Brasil.

Executivos estão abertos a mudanças

A alteração das prioridades também aparece na disposição para trocar de emprego. Segundo o levantamento, 93% dos executivos brasileiros estão abertos a novas oportunidades profissionais. Desse total, 42% procuram ativamente uma nova posição.

Um em cada cinco entrevistados não espera continuar na função atual por mais de seis meses. Isso amplia o desafio das empresas para reter profissionais em cargos estratégicos.

A disposição para mudar não está necessariamente relacionada apenas à insatisfação com salário ou função. Qualidade da liderança, transparência, flexibilidade e perspectivas de desenvolvimento também influenciam a decisão de permanecer ou aceitar uma proposta.

Atualmente, 43% dos líderes brasileiros trabalham em regime híbrido. Entre os participantes, 26% afirmaram que teriam muito mais probabilidade de procurar outra oportunidade se fossem obrigados a comparecer ao escritório com maior frequência.

Os resultados indicam que a retenção da alta liderança depende de um conjunto mais amplo de fatores. Uma proposta financeiramente atraente pode perder força quando implica perda de autonomia, aumento excessivo da carga de trabalho ou prejuízos à vida pessoal.

Inteligência artificial entra nas decisões

A inteligência artificial também passou a influenciar o cotidiano e as decisões de carreira dos executivos. De acordo com a pesquisa, 75% dos líderes brasileiros já utilizam ferramentas de IA generativa em suas atividades diárias.

Entre os usuários, 83% relatam aumento de produtividade, 79% percebem melhora na qualidade do trabalho e 74% afirmam que a tecnologia permite dedicar mais tempo a atividades estratégicas.

O impacto ultrapassa a execução das tarefas. Para 57% dos entrevistados, o avanço da inteligência artificial já interfere nas decisões sobre os próximos passos da carreira. Apesar disso, apenas 11% consideram a tecnologia uma ameaça à segurança profissional no longo prazo.

“A IA não representa apenas uma transformação tecnológica. Ela exige uma nova capacidade de liderança. Os executivos que conseguirão gerar mais valor serão aqueles capazes de conectar tecnologia, pessoas e estratégia de negócio”, avalia Wahrhaftig.

Confiança nas empresas é limitada

A pesquisa também identificou sinais de insegurança entre os profissionais que ocupam o topo das organizações. Apenas 59% dos executivos C-level disseram confiar na capacidade das empresas onde trabalham de se adaptar às transformações do mercado.

O índice indica que quatro em cada dez não demonstram essa confiança. As dúvidas envolvem temas como novos modelos de trabalho, mudanças regulatórias e capacidade de transformar estratégias em resultados.

O estudo ainda aponta diferenças de percepção entre executivos C-level e líderes seniores, o que sugere falhas de alinhamento dentro das próprias estruturas de comando.

“O verdadeiro desafio raramente está na construção da estratégia. Ele está na construção de uma compreensão compartilhada das prioridades e na capacidade de transformar direção em execução. O alinhamento entre lideranças tornou-se uma vantagem competitiva”, conclui Wahrhaftig.

O cenário mostra que as empresas precisarão oferecer mais do que remuneração competitiva para atrair e manter profissionais da alta liderança. Flexibilidade, confiança, desenvolvimento e condições para sustentar o desempenho ao longo do tempo passaram a integrar a definição de uma carreira bem-sucedida. O estudo global da Page Executive reúne informações de mais de 14 mil executivos e líderes seniores.

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