Conferência da ONU realizada em Campo Grande reúne 132 países e aprova novas medidas diante do avanço do risco de extinção.
Da Redação

Campo Grande sediou, entre os dias 23 e 29 de março de 2026, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15, que resultou na ampliação ou reforço da proteção para 40 espécies migratórias em todo o mundo.
O encontro reuniu representantes de 132 países e da União Europeia, que chegaram a um acordo para fortalecer os esforços de conservação diante de evidências de declínio acentuado nas populações de diversas espécies. As decisões incluem a inclusão de novas espécies nos anexos da convenção, além da adoção de planos de ação e medidas coordenadas internacionalmente.
Entre as espécies contempladas estão a ariranha, o guepardo, a hiena-listrada, a coruja-das-neves e diferentes espécies de tubarões e aves marinhas, todas com populações em queda significativa. As medidas buscam ampliar a proteção por meio de tratados e ações conjuntas entre os países signatários.
Um dos destaques para o Brasil e, especialmente, para Mato Grosso do Sul foi a aprovação de um Plano Regional de Ação para a conservação da onça-pintada, um dos principais símbolos do Pantanal. A iniciativa reforça estratégias integradas entre países da América do Sul para garantir a preservação da espécie, com foco na proteção de habitats, na conectividade ecológica e no enfrentamento de ameaças como a perda de território e conflitos com atividades humanas.
Além da inclusão de espécies, a COP15 aprovou 15 novas ações concertadas e 10 planos de ação voltados à conservação, abrangendo iniciativas regionais e globais. Também foram anunciados estudos científicos e ferramentas inovadoras, como a avaliação global dos peixes migratórios de água doce e um atlas das rotas migratórias nas Américas.
Os debates destacaram ameaças crescentes à biodiversidade, como a perda de habitat, mudanças climáticas, poluição por plástico, mineração em águas profundas e captura incidental na pesca. A conferência também reforçou a necessidade de ampliar a cooperação internacional e integrar conhecimentos científicos e tradicionais nas estratégias de conservação.
A secretária-executiva da convenção, Amy Fraenkel, afirmou que, apesar dos avanços, a implementação das medidas precisa ser imediata para evitar perdas irreversíveis. Já o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, destacou o papel das espécies migratórias como elo entre diferentes regiões do planeta e a responsabilidade compartilhada entre as nações.
Com o encerramento da conferência, o Brasil assume a presidência da COP da convenção pelos próximos três anos, período em que deverá liderar a articulação global em torno da conservação das espécies migratórias.
A próxima edição da conferência, a COP16, está prevista para 2029, na cidade de Bonn, na Alemanha, marcando também os 50 anos da convenção.




