27/03/2026 17:54

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Em quatro safras, MS triplica produção de etanol de milho

Expansão acelerada consolida o Estado como um dos principais polos do biocombustível no país.

Anderson Viegas

Unidade Impasa em Sidrolândia (Foto: Impasa/Divulgação).

Mato Grosso do Sul triplicou a produção de etanol de milho em apenas quatro safras. No ciclo 2022/2023, o Estado produziu 721,3 milhões de litros do biocombustível a partir do cereal. Já na safra 2025/2026, esse total saltou para 2,2 bilhões de litros, segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), apresentados durante a 4ª Expocanas, realizada em Nova Alvorada do Sul.

O avanço representa um acréscimo de 1,48 bilhão de litros no período, equivalente a um crescimento de aproximadamente 205%. De acordo com a entidade, o etanol de milho respondeu por 44% de toda a produção estadual na última safra, que atingiu 5 bilhões de litros, recorde histórico e alta de 16,2% em relação ao ciclo anterior (2024/2025), quando foram registrados 4,3 bilhões de litros.

Atualmente, o etanol de milho é produzido em três unidades instaladas no Estado: duas da Impasa, em Dourados e Sidrolândia, e uma da Neomille, em Maracaju. Com esse desempenho, Mato Grosso do Sul ocupa a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso.

Considerando as duas matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível: cana-de-açúcar e milho, o Estado figura como o quarto maior produtor do país. Ao todo, o parque bioenergético sul-mato-grossense conta com 22 unidades industriais, sendo três de etanol de milho e 19 de cana.

Cana

Segundo a Biosul, o segmento baseado na cana processou 52 milhões de toneladas na safra recém-encerrada, volume 7,7% superior ao registrado no ciclo anterior. Das 19 unidades em operação, 14 também produzem açúcar, com fabricação de 2,1 milhões de toneladas, crescimento de 4% em comparação à temporada passada. O resultado coloca Mato Grosso do Sul como o quinto maior produtor nacional.

A entidade aponta que as chuvas registradas em abril de 2025 atrasaram o início da moagem, enquanto a irregularidade climática ao longo do ano levou muitas unidades a estenderem a safra até dezembro. O período foi marcado por condições adversas, como má distribuição das chuvas, estiagem prolongada no meio do ano e episódios de frio intenso e geadas.

A Biosul aponta que o setor está presente em 42 municípios e tem impacto direto no desenvolvimento regional e na arrecadação. Ao todo, são gerados 34,5 mil empregos diretos e indiretos, com massa salarial de R$ 1,4 bilhão. A atividade representa 19% do PIB industrial do Estado, equivalente a R$ 6,8 bilhões, conforme dados de 2023.

O presidente da Biosul, Amaury Pekelman, destaca a evolução do setor nas últimas décadas. “Nos últimos 20 anos, esse crescimento foi enorme. Duas décadas atrás, a produção de combustível no Estado era de cerca de 500 milhões de litros. Também avançamos na produção de cana, que passou de 10 milhões para 52 milhões de toneladas. É um crescimento vertiginoso, que demonstra que Mato Grosso do Sul está no caminho certo. A parceria entre o setor de bioenergia, o Sistema Fiems e o governo do Estado tem sido fundamental para esse avanço e para o abastecimento do país”, afirmou.

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