15/07/2026 06:08

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Vale descarta investir em Corumbá, e J&F reafirma expansão da LHG Mining

Controladora nega venda da mineradora e mantém plano para ampliar produção a 25 milhões de toneladas

Anderson Viegas

Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá, integra a estratégia de expansão da LHG Mining e é o principal ponto de escoamento do minério pela Hidrovia do Paraguai (Foto: LHG Mining/Divulgação).

A Vale informou nesta terça-feira (14) que não fará novos investimentos relacionados ao ativo de minério de ferro localizado em Corumbá. Horas depois, a J&F, controladora da LHG Mining, também divulgou comunicado ao mercado para negar que a mineradora esteja à venda e reafirmar o plano de expansão da operação em Mato Grosso do Sul, que prevê elevar a produção para 25 milhões de toneladas anuais até 2029.

Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Vale esclareceu que avalia regularmente oportunidades de investimento, mas decidiu não prosseguir com qualquer aporte relacionado ao ativo de minério de ferro em Corumbá. “A Companhia avaliou a oportunidade e descartou qualquer investimento relacionado ao ativo de minério de ferro localizado em Corumbá”, informou a mineradora.

O posicionamento foi divulgado após notícias de que executivos da Vale teriam visitado as instalações da LHG Mining, empresa criada pela J&F após a aquisição, em 2022, da Mineração Corumbaense Reunida (MCR), antiga operação da Vale no município.

J&F nega venda

Também nesta terça-feira, a J&F divulgou nota oficial afirmando que a LHG Mining não está à venda. Segundo a empresa, o crescimento da mineradora e o projeto de expansão despertaram o interesse de investidores internacionais, razão pela qual o grupo contratou o banco Citi para conduzir um processo competitivo voltado exclusivamente à eventual entrada de um sócio minoritário.

A controladora também descartou a possibilidade de a Vale participar desse processo. “A J&F descarta ter a Vale como sócia. Trata-se de uma concorrente nacional que traria um imenso conflito de interesse na gestão da companhia”, afirmou.

Sobre a visita de representantes da Vale às instalações da mineradora, a J&F informou que o encontro ocorreu a pedido da própria companhia e teve como objetivo apresentar as melhorias implementadas desde a aquisição da operação, ressaltando que o mesmo tratamento foi dispensado a diversas empresas do setor.

Expansão segue em andamento

Enquanto a Vale afirma que não pretende investir em Corumbá, a LHG Mining mantém em execução um dos maiores projetos de expansão da mineração em Mato Grosso do Sul. A empresa pretende elevar a produção de minério de ferro e manganês para 25 milhões de toneladas por ano até 2029. Quando assumiu a operação, em 2022, a produção era de aproximadamente 2 milhões de toneladas anuais. Atualmente, a empresa já produz cerca de 13 milhões de toneladas, o que representa um crescimento superior a seis vezes em relação ao volume inicial.

Caso a meta seja alcançada, a expansão representará um aumento de 1.150% sobre a produção existente quando a J&F adquiriu a antiga operação da Vale.

Para sustentar esse crescimento, a empresa vem investindo na aquisição de caminhões, escavadeiras e equipamentos de beneficiamento mineral, além da ampliação da estrutura logística. Entre as obras está a implantação de um novo berço de atracação no Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá, utilizado para o escoamento da produção pela Hidrovia do Paraguai.

Atualmente, cerca de 2,5 milhões de toneladas permanecem no mercado interno. O restante segue para exportação pela hidrovia até o Uruguai, onde o minério é transferido para navios do tipo Panamax e, posteriormente, Capesize, com destino principalmente aos mercados da China e da Europa.

Logística acompanha crescimento

A expansão também alcança a frota de navegação da companhia. Quando assumiu a operação, em 2022, a LHG Mining possuía 18 rebocadores e 252 barcaças. Desde então, incorporou mais 10 rebocadores e 41 barcaças à operação.

Além disso, outros 21 rebocadores e 400 barcaças estão em construção. A expectativa é que, em 2028, a empresa conte com 49 rebocadores e aproximadamente 700 embarcações, ampliando a capacidade de transporte para atender ao crescimento previsto da produção em Corumbá.

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