Estado exportou quase US$ 670 milhões aos norte-americanos em 2024; impacto estimado equivale a 0,29% do PIB sul-mato-grossense.
Da Redação

Com a entrada em vigor, nesta quinta-feira, 1º de agosto, das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Mato Grosso do Sul pode perder R$ 537 milhões em atividade econômica. A projeção é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O impacto representa uma retração de 0,29% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, um dos maiores percentuais entre os estados brasileiros.
Para conferir a íntegra do estudo da UFMG clique aqui!
De acordo com dados do ComexStat/MDIC, em 2024 o estado exportou US$ 669,5 milhões aos EUA, que foram o segundo principal destino dos produtos sul-mato-grossenses. O principal mercado continua sendo a China, com 45% de participação. A pauta exportadora para os norte-americanos foi composta por 84 tipos de produtos, liderados por carne bovina desossada e congelada (US$ 215,8 milhões), celulose (US$ 213,4 milhões) e ferro gusa (US$ 123,6 milhões), que juntos representaram mais de 80% do total.
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, afirmou que a medida já era esperada diante dos anúncios do presidente americano. “Eu não fui surpreendido [com o tarifaço] porque desde que o presidente Trump assumiu, ele alertou uma série de países sobre a possibilidade de medidas como essa. É muito ruim para o Brasil. O Mato Grosso do Sul é afetado diretamente”, declarou. Para ele, o caminho passa pela diplomacia. “Acredito que buscaremos uma solução para esse impasse, que é ruim para os negócios brasileiros e para o Mato Grosso do Sul, mas que precisa ser superado”, completou.
Segundo a CNI, o impacto da medida será desigual entre os estados. O maior prejuízo financeiro recairá sobre São Paulo, com perda estimada de R$ 4,4 bilhões, seguido por Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bi), Paraná (R$ 1,9 bi), Santa Catarina (R$ 1,7 bi) e Minas Gerais (R$ 1,6 bi). Mato Grosso do Sul ocupa a 12ª posição no ranking nacional, à frente de estados como Bahia (R$ 404 mi), Pernambuco (R$ 377 mi) e Ceará (R$ 190 mi). A CNI estima que, no total, as perdas para os estados brasileiros superem os R$ 19 bilhões. Veja abaixo os dados do prejuízo de cada estado:
Os impactos variam conforme o grau de dependência comercial com os Estados Unidos. Em Mato Grosso do Sul, os EUA responderam por 6,7% das exportações em 2024. Já no Ceará, as vendas aos americanos chegaram a 44,9% do total exportado. “A imposição do expressivo e injustificável aumento das tarifas americanas traz impactos significativos para a economia nacional, penalizando setores produtivos estratégicos e comprometendo a competitividade das exportações brasileiras”, avaliou Ricardo Alban, presidente da CNI.
A balança comercial entre os dois países fechou 2024 com saldo negativo para o Brasil. As exportações brasileiras somaram US$ 40,37 bilhões, enquanto as importações de produtos dos EUA chegaram a US$ 40,65 bilhões, resultando em déficit de US$ 280 milhões. O dado contradiz a justificativa econômica apresentada por Donald Trump para embasar o tarifaço.