22/08/2026 18:32

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Setor de bioenergia rebate Flávio Bolsonaro após crítica ao etanol na gasolina

Entidades contestam comparação com “reduflação” e afirmam que mistura E32 é segura e fortalece produção nacional

Da Redação

Mistura de 32% de etanol anidro na gasolina passou a vigorar em 1º de agosto (Foto: Pexels)

Entidades que representam produtores de açúcar, etanol e cana-de-açúcar no País reagiram com firmeza nesta sexta-feira (21) às declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina.

Em nota conjunta, seis organizações repudiaram a comparação feita pelo candidato entre a adoção da mistura E32 e a chamada “reduflação”, prática na qual a quantidade de um produto é reduzida sem diminuição proporcional do preço.

A manifestação é assinada pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), Unem (União Nacional do Etanol de Milho), Bioenergia Brasil, Feplana (Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana) e Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).

Durante uma transmissão ao vivo realizada na noite de quinta-feira (20), Flávio afirmou que a proporção de etanol na gasolina precisaria ser discutida e prometeu rever o percentual em um eventual governo.

“A gasolina também: uma parte virou etanol. Nem o combustível esse governo está poupando”, declarou, após comparar a medida à redução do tamanho de barras de chocolate, rolos de papel higiênico e embalagens de outros produtos.

O candidato também mencionou a possibilidade de danos aos motores e afirmou que quem paga por gasolina deveria receber gasolina. “Pagou pela gasolina, tem que levar gasolina”, disse. A declaração foi registrada durante a live semanal do candidato.

Setor rejeita comparação com “reduflação”

Na primeira resposta ao candidato, as entidades afirmaram que a comparação desinforma o consumidor porque o etanol anidro não seria uma redução da quantidade de combustível entregue, mas um dos componentes da gasolina comercializada no País.

“A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro”, diz a nota.

Na avaliação das organizações, a mistura não equivale a receber uma quantidade menor do produto, como ocorre na “reduflação”. O consumidor continua adquirindo o volume indicado na bomba, mas com uma composição formada por gasolina e etanol anidro dentro dos percentuais definidos pela legislação brasileira.

A proporção de etanol anidro passou de 30% para 32% em 1º de agosto. O percentual foi autorizado temporariamente pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), por 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período.

Mistura passou por testes

As entidades também contestaram a possibilidade de o E32 causar danos aos motores. Segundo a nota, a adoção do percentual foi precedida por ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.

Foram avaliados 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota fabricada entre 1994 e 2024. Os veículos foram testados em laboratório e em pista com misturas de 27%, 30% e 32% de etanol anidro.

Os ensaios tiveram acompanhamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. Conforme as entidades, os resultados demonstraram “plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor”.

Ao anunciar a regulamentação, o MME (Ministério de Minas e Energia) também informou que a mudança estava apoiada em estudos técnicos sobre a segurança e a compatibilidade do E32 com a frota brasileira. A nova composição começou a vigorar em 1º de agosto.

Flávio participou da aprovação da lei

Outro argumento apresentado pelo setor é que Flávio participou da aprovação da Lei do Combustível do Futuro, que abriu caminho para o aumento da proporção de etanol anidro.

“Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador”, afirmam as entidades.

O projeto foi aprovado pelo Senado em setembro de 2024. Flávio estava presente na sessão em que o texto passou pelo plenário. A lei ampliou para até 35% o limite permitido de etanol anidro na gasolina. Os registros do Senado também mostram voto favorável do parlamentar em uma das votações nominais da matéria.

Entidades apontam ganhos econômicos

Em resposta à afirmação de que o consumidor paga por gasolina e, portanto, deveria receber somente gasolina, as organizações sustentam que a mistura proporciona vantagens econômicas, ambientais e energéticas.

Segundo a nota, o etanol possui elevada octanagem, característica relacionada à resistência do combustível à detonação e ao desempenho do motor. O biocombustível também é produzido em mais de mil municípios brasileiros.

“Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética”, afirmam as organizações.

As entidades também relacionam a ampliação da mistura à menor dependência externa. De acordo com o MME, o E32 pode reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina.

Produção cresce em Mato Grosso do Sul

A discussão tem impacto direto em Mato Grosso do Sul, que avançou para a terceira posição no ranking nacional de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo e Mato Grosso.

Dados da ANP mostram que o Estado produziu 1,783 bilhão de litros entre janeiro e maio de 2026, crescimento de 29,59% em relação aos 1,376 bilhão de litros registrados no mesmo período de 2025.

A maior expansão ocorreu justamente no etanol anidro, empregado na mistura com a gasolina. A produção sul-mato-grossense subiu 61,83%, passando de 282,806 milhões para 457,673 milhões de litros.

Já a produção de etanol hidratado, vendido separadamente nas bombas, aumentou 21,25%, de 1,093 bilhão para 1,326 bilhão de litros.

Segundo a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), o Estado possui 22 plantas industriais produtoras de etanol: 19 usinas que utilizam cana-de-açúcar e três unidades de etanol de milho.

A elevação da mistura obrigatória tende a ampliar diretamente a demanda pelo anidro, justamente o segmento que apresentou o crescimento mais acentuado no Estado durante os cinco primeiros meses do ano.

Confira a íntegra da nota

NOTA À IMPRENSA

Etanol: mais Brasil no tanque

A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a UNEM – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana e a ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.

Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.

O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves.

A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.

O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu.

São Paulo, 21 de agosto de 2026.

UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia

UNEM – União Nacional do Etanol de Milho

BIOENERGIA BRASIL

FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil

UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana

ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil

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