09/06/2026 22:39

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Produtores propõem antecipar plantio da soja e mudar vazio sanitário em Mato Grosso do SulAgronegócio

Pedido encaminhado à Semadesc prevê semeadura a partir de 1º de setembro e manutenção dos 90 dias de vazio sanitário

Da Redação

A proposta prevê que a semeadura passe a ser autorizada entre 1º de setembro e 15 de dezembro (Foto: Aprosoja/MS/Divulgação).

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e o Sistema Famasul protocolaram junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) um pedido de revisão do calendário fitossanitário da soja no Estado.

A proposta prevê que a semeadura passe a ser autorizada entre 1º de setembro e 15 de dezembro. Para manter a segurança fitossanitária, as entidades também sugerem a alteração do vazio sanitário para o período de 1º de junho a 31 de agosto, preservando os atuais 90 dias sem a presença de plantas vivas de soja no campo.

Atualmente, o vazio sanitário ocorre entre 15 de junho e 15 de setembro, enquanto o calendário oficial de plantio vai de 16 de setembro a 31 de dezembro.

Segundo o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a proposta foi construída a partir de demandas apresentadas pelos produtores e conta com respaldo técnico.

“Essa solicitação é resultado de uma demanda do setor produtivo e foi construída com respaldo técnico. Nosso objetivo é garantir que os produtores tenham melhores condições de semeadura, respeitando os critérios fitossanitários e fortalecendo a competitividade da sojicultura sul-mato-grossense”, afirma.

De acordo com a Aprosoja/MS, a revisão busca adequar a legislação à realidade atual da agricultura brasileira, marcada pela evolução genética das cultivares, pela maior eficiência dos sistemas de manejo e pelo avanço tecnológico das propriedades rurais.

Para o presidente da entidade, Jorge Michelc, as mudanças ocorridas nas últimas décadas justificam a atualização das regras.

“A agricultura evoluiu muito nos últimos vinte anos. Hoje temos cultivares mais precoces, maior eficiência no manejo e produtores altamente tecnificados. O que estamos propondo é uma atualização necessária da legislação, para que ela acompanhe a dinâmica do campo sem comprometer a segurança fitossanitária”, destaca.

Outro argumento apresentado pelas entidades está relacionado ao planejamento da segunda safra. Segundo o vice-presidente da Aprosoja/MS, Andre Dobashi, o encerramento da janela de semeadura em meados de dezembro pode favorecer o posicionamento do milho safrinha dentro de períodos considerados mais adequados do ponto de vista climático.

“Com o encerramento obrigatório da semeadura em 15 de dezembro, conseguimos melhorar o posicionamento do milho segunda safra dentro da janela mais adequada. Isso traz mais eficiência operacional, reduz riscos produtivos e amplia as oportunidades de sucesso para o agricultor sul-mato-grossense”, afirma.

A proposta também busca uniformizar o calendário agrícola em todo o território sul-mato-grossense. Segundo as entidades, diferenças regionais nos períodos de plantio e vazio sanitário podem favorecer a formação das chamadas “pontes verdes”, situação em que plantas remanescentes permitem a sobrevivência e a migração de pragas e doenças entre diferentes regiões produtoras.

O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, ressalta que a proposta mantém os principais mecanismos de controle fitossanitário adotados atualmente.

“A manutenção dos 90 dias de vazio sanitário e do limite de semeadura até dezembro garante que o controle fitossanitário continue sendo respeitado. O objetivo é adequar o calendário à dinâmica atual do campo, considerando evolução genética, manejo e planejamento produtivo”, explica.

Respaldo técnico

A proposta apresentada à Semadesc conta com pareceres técnicos favoráveis da Embrapa Agropecuária Oeste, da Fundação MS e da Fundação Chapadão.

Segundo os estudos elaborados pelas instituições, os riscos fitossanitários permanecem controlados desde que sejam mantidos os 90 dias de vazio sanitário e o limite de semeadura até meados de dezembro.

As análises também apontam benefícios relacionados ao manejo da ferrugem-asiática, ao controle de plantas voluntárias e à adequação do calendário às condições atuais de produção.

Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que eventuais mudanças não substituem a necessidade de observância ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). A decisão sobre o início do plantio continuará dependendo da avaliação individual de cada produtor, considerando fatores como tipo de solo, disponibilidade de umidade, ciclo das cultivares e condições climáticas de cada região.

Debate nacional

Além da discussão em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS participará de debates técnicos nacionais sobre o tema nas próximas semanas.

Representantes da entidade estarão em Londrina (PR), na Embrapa Soja, para participar de agendas relacionadas ao zoneamento agrícola, produtividade e impactos da antecipação da semeadura sobre o sistema produtivo.

O assunto também será debatido em reuniões da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja e em encontros com representantes do Ministério da Agricultura, em Brasília.

Segundo Andre Dobashi, a participação da entidade nesses fóruns busca manter o alinhamento das discussões estaduais com os estudos desenvolvidos pelos principais centros de pesquisa do país.

“Estamos acompanhando de perto os estudos relacionados à cadeia produtiva da soja e aos impactos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático. É uma discussão técnica, construída junto às instituições de pesquisa, pensando em produtividade, sustentabilidade e segurança para o produtor rural”, conclui.

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