17/07/2026 16:57

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Ponte da Rota Bioceânica une Brasil e Paraguai com ligação histórica

Encontro das estruturas marca conclusão da fase mais complexa e aproxima abertura do corredor

Da Redação

Beijo das aduelas da Ponte da Bioceânica ocorreu nesta quarta-feira (15) (Foto: MOPC/Divulgação).

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica alcançou nesta quarta-feira (15) o principal marco de sua construção. As duas frentes de trabalho que avançavam simultaneamente a partir de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e de Carmelo Peralta, no Paraguai, finalmente se encontraram sobre o Rio Paraguai, formando uma única estrutura contínua pela primeira vez.

Conhecido na engenharia como “beijo das aduelas”, o procedimento representa o fim da etapa estrutural mais complexa da obra e simboliza a ligação física permanente entre Brasil e Paraguai dentro da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico.

Até poucos dias antes da operação, apenas 5,60 metros separavam as duas extremidades da ponte. Com a concretagem da última laje, a estrutura passou a formar um único corpo, encerrando a fase dos balanços sucessivos, técnica utilizada em grandes pontes estaiadas.

A ministra de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Claudia Centurión, afirmou que a ligação estrutural será concluída nos próximos dias com a execução dos últimos metros cúbicos de concreto. Segundo ela, após essa etapa, a obra seguirá para os serviços de pavimentação, acabamentos e demais intervenções necessárias para colocar a ponte em funcionamento.

“São obras que vão desenvolver o Chaco paraguaio, posicionar o país de forma muito diferente na região e permitir algo que a América Latina ainda apresenta em índices muito baixos, que é o comércio intrarregional”, afirmou.

Engenharia entra na reta final

Segundo o Consórcio PyBra, responsável pela construção, a união das aduelas permite o avanço para a fase final da obra, que inclui pavimentação, iluminação, sinalização, instalação de guarda-corpos, dispositivos de segurança, sistemas anticolisão e antissuicídio, além dos acabamentos.

A expectativa é que cerca de 140 trabalhadores permaneçam no canteiro para concluir os serviços restantes, com previsão de entrega da ponte em outubro deste ano.

Com 1.294 metros de extensão, a estrutura possui um trecho estaiado de 632 metros e um vão central de 350 metros, projetado para manter a navegabilidade do Rio Paraguai e permitir a passagem de embarcações de grande porte.

Corredor muda logística da América do Sul

Considerada o principal elo da Rota Bioceânica, a ponte conectará por rodovia os portos brasileiros do Atlântico aos terminais chilenos no Oceano Pacífico, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é reduzir distâncias, tempo de transporte e custos logísticos nas exportações destinadas aos mercados asiáticos, ampliando a competitividade de produtos como celulose, minério de ferro, soja, milho, algodão e proteínas animais.

A ministra Claudia Centurión destacou que a infraestrutura também deverá transformar o Paraguai em um centro logístico multimodal, fortalecendo o comércio regional e internacional e impulsionando o desenvolvimento econômico do Chaco paraguaio.

Embora a ponte esteja na reta final, os acessos continuam em construção. No Paraguai, a ligação entre a cabeceira da ponte e a rodovia PY-15 deverá ser concluída junto com a estrutura principal. No Brasil, o DNIT executa os 13,1 quilômetros de acesso entre a BR-267 e a ponte, além do Centro Unificado de Fronteira, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027.

Mais do que um feito da engenharia, o encontro das duas estruturas representa o primeiro vínculo físico permanente entre Brasil e Paraguai dentro da Rota Bioceânica, consolidando um projeto que promete ampliar a integração logística, comercial e econômica da América do Sul.

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