O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, reeleito
no primeiro turno para mais quatro anos à frente do Executivo estadual, afirmou
nesta segunda-feira (5), em entrevista ao Bom Dia MS, que a expectativa é que a
Rota Bioceânica esteja em operação em 2027.

Segundo Riedel, a ponte internacional sobre o Rio Paraguai,
entre Porto Murtinho, no lado brasileiro, e Carmelo Peralta, no Paraguai,
deverá ser concluída ainda em 2026. Para o próximo ano, estão previstas as
entregas do acesso brasileiro à estrutura e da infraestrutura alfandegária
conjunta dos dois países, que será construída nas proximidades da ponte.

A ligação é uma das principais obras do corredor, que
pretende conectar Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, passando
pelo Paraguai e pela Argentina. Para o estado, a expectativa é ampliar as
alternativas de escoamento da produção e criar um caminho pelo Oceano Pacífico
para alcançar mercados asiáticos. 

Duplicação entre Campo Grande e Sidrolândia

Na entrevista, Riedel também destacou o projeto de
duplicação da BR-060 no trecho de aproximadamente 60 quilômetros entre Campo
Grande e Sidrolândia. A rodovia integra o traçado brasileiro da Rota Bioceânica
e atende uma região com produção de grãos e atividades ligadas à bioenergia.

Segundo o governador, o projeto foi elaborado pelo governo
estadual, embora a rodovia esteja sob responsabilidade da União. A proposta
deverá ser apresentada ao Ministério dos Transportes e ao Departamento Nacional
de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após as eleições, com o objetivo de
viabilizar a execução o mais rapidamente possível.

A duplicação busca ampliar a capacidade de um dos trechos mais
movimentados do percurso brasileiro do corredor. Além de atender ao tráfego
atual, a intervenção poderá preparar a rodovia para o aumento da circulação de
cargas com a abertura da nova ligação internacional.

Ponte de quase 1,3 quilômetro entra na reta final

A ponte internacional tem 1.294 metros de extensão, com
trecho estaiado de 632 metros e vão central de 350 metros. O projeto foi
desenvolvido para preservar a navegabilidade do Rio Paraguai e permitir a
passagem de embarcações de grande porte.

Com a união das duas frentes de construção, a obra avançou
para a etapa final. Os serviços restantes incluem pavimentação, iluminação,
sinalização, instalação de guarda-corpos, dispositivos de segurança, sistemas
anticolisão e antissuicídio e acabamentos.

Segundo o Consórcio PyBra, responsável pela construção,
aproximadamente 140 trabalhadores devem permanecer no canteiro nessa fase. A
previsão informada é de conclusão da ponte em outubro deste ano.

A estrutura será o principal elo rodoviário entre Porto
Murtinho e Carmelo Peralta, permitindo a continuidade do trajeto pelo Chaco
paraguaio em direção à Argentina e aos portos chilenos.

Abertura depende dos acessos e da alfândega

A conclusão da ponte, por si só, não representa a liberação
imediata da ligação ao tráfego. A operação também depende dos acessos
rodoviários e das instalações necessárias aos procedimentos de fronteira.

No Paraguai, segue em construção a ligação entre a cabeceira
da ponte e a rodovia PY-15. No Brasil, o DNIT executa 13,1 quilômetros de
acesso entre a BR-267 e a estrutura, além do Centro Unificado de Fronteira.

A previsão de conclusão desse conjunto de intervenções é o
segundo semestre de 2027. O cronograma ajuda a explicar a expectativa
apresentada pelo governador para o início da operação no próximo ano, mesmo com
a entrega da ponte prevista para 2026.

A infraestrutura alfandegária será necessária para o
controle da circulação internacional e para os procedimentos de fiscalização e
liberação de cargas na passagem entre Brasil e Paraguai.

Sensores vão acompanhar o comportamento da estrutura

A ponte também contará com equipamentos para acompanhar as
condições ambientais e o comportamento da estrutura ao longo do tempo. Duas
estações meteorológicas serão instaladas no alto das torres e registrarão
temperatura, chuva acumulada, velocidade e direção dos ventos.

Segundo a engenheira Julliana Duarte, representante do
Consórcio JYI, responsável pela fiscalização das obras, os equipamentos terão
como finalidade principal registrar os fenômenos ocorridos no local e fornecer
informações para o acompanhamento da infraestrutura.

Os registros poderão ser cruzados com dados de sensores de
força nos estais, acelerômetros e extensômetros. Essa combinação permitirá
avaliar como a ponte reage às variações de temperatura, chuva e vento e
verificar se o comportamento permanece dentro dos parâmetros previstos no
projeto.

Inicialmente, as estações não integrarão um sistema de
alerta antecipado. A tecnologia, porém, permitirá incorporar essa função no
futuro, inclusive para emitir avisos quando os ventos atingirem níveis
considerados críticos para a circulação de veículos.

Os dados históricos ficarão à disposição do Ministério de
Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai, responsável pela operação e
manutenção da infraestrutura.