Celebrado no domingo (18), o Dia do Médico destaca o papel dos profissionais na assistência à população e a importância da formação de novos médicos para atender às demandas de saúde em Mato Grosso do Sul. Além do trabalho desenvolvido em hospitais, clínicas e unidades básicas, a formação acadêmica contribui para ampliar os serviços oferecidos à comunidade por meio de atendimentos supervisionados e projetos de extensão.

Em Campo Grande, a preparação de futuros médicos ocorre em contato com a rede pública de saúde desde os primeiros semestres da graduação. Na Uniderp, por exemplo, os estudantes participam de atividades supervisionadas em 38 Unidades de Saúde da Família, além de hospitais e ambulatórios.

A integração entre ensino e atendimento ganha relevância diante dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde. Segundo o Plano Municipal de Saúde 2026-2029 de Campo Grande, as doenças cardiovasculares provocaram 794 mortes prematuras entre pessoas de 30 a 69 anos em 2024. As neoplasias malignas aparecem na sequência, com 654 óbitos na mesma faixa etária.

Esses indicadores estão entre os desafios que exigem profissionais preparados para atuar tanto na prevenção quanto no diagnóstico e tratamento de doenças.

Formação médica começa na atenção básica

O contato dos estudantes com a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS) faz parte da preparação para o exercício da medicina.

Na Uniderp, que mantém o curso de Medicina em Campo Grande desde 2000, os acadêmicos desenvolvem atividades práticas supervisionadas desde o primeiro semestre, com responsabilidades progressivas ao longo da graduação.

Nos dois últimos anos, durante o internato, a formação inclui experiências em Saúde do Adulto, Urgência e Emergência, Saúde da Mulher, Saúde da Criança e do Adolescente, Medicina de Família e Comunidade, Saúde Mental e atendimento a populações vulneráveis.

Em 26 anos de atuação na capital, a instituição já formou mais de 1,5 mil médicos. A primeira turma concluiu a graduação em 2005 e, segundo levantamento divulgado pela universidade quando o curso completou 25 anos, aproximadamente 72% dos egressos haviam conseguido aprovação em programas de residência médica.

Atendimentos à comunidade ultrapassam 10 mil por ano

A participação das instituições de ensino na assistência à população também ocorre por meio de ambulatórios e centros de especialidades.

Em Campo Grande, o Centro de Especialidades Médicas da Uniderp (CEMED) realiza mais de 10 mil atendimentos por ano. Somente no primeiro semestre de 2026, foram mais de 5,5 mil pacientes atendidos.

A unidade oferece consultas em áreas como cardiologia, endocrinologia, pediatria, ginecologia, dermatologia, ortopedia, psiquiatria, oftalmologia, urologia e cirurgia vascular.

Parte dos atendimentos é realizada gratuitamente, mediante encaminhamento pelo SUS, com participação de estudantes supervisionados por médicos e professores.

Além das consultas, projetos de extensão universitária ligados à formação médica alcançam aproximadamente 18 mil pessoas anualmente, com ações de prevenção de doenças, incentivo à vacinação infantil e orientações sobre alimentação e atividade física para pacientes com hipertensão e diabetes.

Interiorização amplia oportunidades de formação

A preparação de novos médicos também avança para municípios do interior de Mato Grosso do Sul, aproximando o ensino superior das necessidades regionais de saúde.

Em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, a Faculdade de Medicina Uniderp iniciou suas atividades em 2024, vinculada ao Programa Mais Médicos. A instituição desenvolve ações integradas à rede pública e, em novembro de 2025, entregou 334 materiais e equipamentos destinados aos serviços municipais de saúde.

Em Dourados, onde a graduação começou em 2025, a formação inclui atividades práticas supervisionadas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde desde os primeiros semestres.

A presença de cursos de Medicina em diferentes regiões permite que os estudantes tenham contato com realidades distintas de atendimento, incluindo demandas da atenção básica, dos serviços especializados e das comunidades de fronteira.