A valorização internacional de produtos como soja, milho e
carne bovina coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com cadeias produtivas
diretamente ligadas ao cenário de alta das commodities projetado pelo Banco
Mundial para 2026. Juntos, esses produtos, somados ao farelo e ao óleo de soja
e ao açúcar, movimentaram US$ 5,52 bilhões nas exportações sul-mato-grossenses
de janeiro a setembro, o equivalente a 59,9% de toda a receita estadual com
vendas ao exterior.
No relatório Commodity Markets Outlook, divulgado nesta
quarta-feira (28), o Banco Mundial projeta aumento de 23,1% no índice geral de
preços das commodities neste ano, em comparação com 2025. Entre os produtos
relevantes para MS, as estimativas apontam valorização de 39% para o óleo de
soja, 18,1% para a soja em grão, 17,5% para o farelo, 9,9% para o milho e 9,8%
para a carne bovina.
As projeções correspondem às médias anuais dos preços
internacionais em dólares. A transmissão desse movimento para a receita das
empresas e dos produtores estaduais depende também do câmbio, dos volumes
comercializados, dos contratos e dos custos de produção e transporte.
O cruzamento feito pelo Made in MS com os dados do Comex
Stat mostra a dimensão dessa exposição ao mercado externo. Até setembro, Mato
Grosso do Sul exportou US$ 9,22 bilhões, correspondentes a 3,24% das
exportações brasileiras no período, ocupando a 11ª posição entre as unidades da
Federação em valor vendido.
A participação estadual aumenta quando são observadas
algumas das cadeias alcançadas pela valorização internacional. MS respondeu por
12,67% da receita brasileira com exportações de carnes bovinas frescas,
refrigeradas ou congeladas e por 8,27% das vendas externas de óleo de soja.
Soja conecta lavouras indústria e biocombustíveis
Principal produto da pauta exportadora estadual, a soja em
grão gerou US$ 2,866 bilhões até setembro, com embarques de 6,69 milhões de
toneladas. Somadas as vendas de farelo e óleo, os três grupos movimentaram US$
3,45 bilhões, aproximadamente 37,5% das exportações de MS.
O Banco Mundial relaciona a valorização do complexo soja à
demanda por biocombustíveis, às pressões sobre o mercado de energia e às
restrições de oferta de outros óleos vegetais. Segundo o relatório, o consumo
mundial de soja deve crescer mais rapidamente que a produção na temporada
2026/27, reduzindo a relação entre estoques finais e consumo pelo segundo ciclo
consecutivo.
O óleo apresenta a maior valorização projetada entre os
produtos selecionados. Nos Estados Unidos, o uso em biocombustíveis deverá
superar, pela primeira vez, metade do consumo doméstico de óleo de soja,
conforme o documento.
A importância comercial da oleaginosa acompanha a posição de
Mato Grosso do Sul na produção brasileira. Nas tabelas da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), o Estado aparece como quinto maior produtor de soja na
safra 2025/26, com 15,75 milhões de toneladas, equivalentes a 8,73% do total
nacional.
Para 2026/27, a estimativa de outubro prevê 15,91 milhões de
toneladas e manutenção da quinta posição, com 8,76% da produção brasileira. À
frente estão Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
Terceiro maior produtor de milho de segunda safra
No milho de segunda safra, a participação produtiva estadual
é ainda maior. MS ocupa a terceira posição nacional na temporada 2025/26, atrás
de Mato Grosso e Paraná, com 13,99 milhões de toneladas, ou 12,41% da produção
brasileira dessa modalidade.
Para 2026/27, a Conab projeta 12,92 milhões de toneladas,
mantendo o Estado em terceiro lugar, com aproximadamente 11,4% do volume
nacional previsto. No conjunto dos grãos, o primeiro levantamento da temporada
coloca MS na quinta posição, com cerca de 30,63 milhões de toneladas, atrás de
Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
A valorização internacional do milho pode repercutir tanto
na comercialização do cereal quanto nas atividades que o utilizam como
matéria-prima. Para a produção de carnes e de etanol de milho, o preço do grão
também representa um componente do custo industrial.
Carne bovina reúne produção e presença internacional
Na pecuária, o relatório projeta alta de 9,8% no preço
internacional de referência da carne bovina em 2026. Entre os fatores está a
redução estimada de 4% na produção dos Estados Unidos neste ano, seguida por
uma recuperação modesta em 2027.
Mato Grosso do Sul chega a esse cenário como quarto maior
exportador brasileiro de carnes bovinas frescas, refrigeradas ou congeladas em
receita, segundo os dados de janeiro a setembro. As vendas somaram US$ 1,643
bilhão, com embarques de 260,5 mil toneladas.
A carne ocupa a terceira posição entre os grandes grupos da
pauta exportadora estadual, atrás de soja e celulose. Considerando os produtos
individualmente por código NCM, a carne bovina desossada congelada aparece em
terceiro lugar, e a desossada fresca ou refrigerada, em quarto.
Na produção, os dados de 2025 reunidos no levantamento da
pecuária apontam MS como quarto maior produtor nacional, com 1,055 milhão de
toneladas de carcaças de bovinos abatidos sob inspeção sanitária. O Estado
ocupava ainda a quinta posição em rebanho, com 17,95 milhões de cabeças, e em
abates, com 3,93 milhões de animais. Os resultados de abate e peso das carcaças
são preliminares.
Energia e fertilizantes também pressionam os custos
O cenário de valorização dos produtos agrícolas vem
acompanhado de encarecimento de insumos. O Banco Mundial projeta alta de 32% no
índice de energia e de 14,3% no de fertilizantes em 2026. Para o petróleo
Brent, a previsão é de média anual de US$ 91 por barril, aumento de 31,9% sobre
2025.
Esses movimentos podem elevar despesas com adubação,
operações agrícolas e logística, limitando os ganhos proporcionados por preços
de venda maiores.
Para 2027, o relatório prevê outra combinação: continuidade
da valorização de soja, milho e carne bovina, acompanhada de recuo dos
fertilizantes e do petróleo. As projeções indicam alta de 5,3% para a soja,
5,4% para o milho e 4,4% para a carne, enquanto os fertilizantes deverão cair
12,4%.
O cenário, porém, permanece sujeito a mudanças. O Banco
Mundial aponta conflitos geopolíticos, interrupções no comércio e eventos
climáticos entre os riscos capazes de alterar oferta, custos e preços. Para MS,
o resultado dependerá da combinação entre cotação internacional, desempenho das
safras, produtividade pecuária e condições de acesso aos mercados.





