25/05/2026 21:17

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No Dia da Indústria, MS celebra R$ 115 bilhões em investimentos, quase o PIB de Sergipe e Tocantins juntos

Volume previsto até 2030 reforça peso da indústria no PIB estadual, no emprego formal e nas exportações.

Anderson Viegas

Dentro da indústria, a construção civil é o principal gerador de empregos no estado, com 40.649 trabalhadores formais (Foto: Fiems/Arquivo).

Mato Grosso do Sul chega ao Dia da Indústria, celebrado neste 25 de maio, vivendo um dos momentos de maior expansão de sua trajetória econômica. Com R$ 115 bilhões em investimentos industriais previstos até 2030, o Estado consolida um novo ciclo de expansão puxado por grandes empreendimentos nos setores de celulose, mineração, fertilizantes, bioenergia e processamento de alimentos.

Para efeito de comparação, o volume previsto se aproxima da soma dos PIBs de Sergipe, de R$ 60,8 bilhões, e Tocantins, de R$ 64,3 bilhões, que juntos movimentaram R$ 125,1 bilhões em 2023, segundo o IBGE. Na prática, é como se Mato Grosso do Sul estivesse colocando em andamento, dentro da indústria, um montante equivalente a quase toda a riqueza gerada por esses dois estados em um ano.

Levantamento da Fiems mostra que desse total previsto em Mato Grosso do Sul, R$ 27 bilhões já foram concluídos, R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões ainda devem entrar em implantação nos próximos anos. Os projetos têm potencial para gerar ao menos 18 mil empregos diretos apenas na fase operacional, sem contar os impactos indiretos em logística, serviços, comércio e cadeia de fornecedores.

Entre os empreendimentos que lideram esse movimento está a fábrica da Arauco, em Inocência, com investimento estimado em R$ 25 bilhões, considerada uma das maiores plantas de celulose em implantação no mundo. Em Bataguassu, a Bracell prevê outros R$ 16 bilhões para sua nova unidade industrial.

 Em Corumbá, a expansão mineral soma aproximadamente R$ 4 bilhões, enquanto a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) da Petrobras, em Três Lagoas, deve movimentar cerca de R$ 5,5 bilhões. Também avançam no Estado investimentos em etanol de milho, esmagamento de soja, beneficiamento de amendoim e ampliação da indústria frigorífica.

A força da indústria já aparece com destaque na economia sul-mato-grossense. O setor representa atualmente 22,4% do Produto Interno Bruto estadual e mantém 171.716 empregos formais, distribuídos em 8.462 estabelecimentos industriais, com salário nominal médio de R$ 3.330.

Quando analisado o mercado de trabalho com carteira assinada em Mato Grosso do Sul, a indústria aparece como o segundo maior empregador do Estado, com 177.190 trabalhadores CLT, atrás apenas do setor de serviços, com 270.232 vínculos formais. O comércio soma 158.610 trabalhadores, enquanto a agropecuária responde por 100.432 empregos formais. Ao todo, Mato Grosso do Sul reúne 706.464 trabalhadores com carteira assinada.

Dentro do setor industrial, a construção civil aparece como um dos principais motores de contratação, com 40.649 trabalhadores formais, seguida pelo abate e fabricação de carnes, com 40.290 empregos. Também ganham destaque segmentos ligados ao avanço da chamada nova economia florestal do Estado. A produção florestal emprega 16.160 trabalhadores, enquanto a fabricação de etanol reúne 13.049 empregados, o refino e fabricação de açúcar soma 9.943, e a fabricação de celulose concentra 7.667 trabalhadores formais.

O peso da indústria também se reflete no mercado internacional. Em 2025, o setor respondeu por 73% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou, movimentando US$ 7,82 bilhões em vendas externas.

A celulose e papel lideraram as exportações industriais, com US$ 3,1 bilhões, o equivalente a 40% do total industrial exportado. Na sequência aparecem o complexo frigorífico, com US$ 2,5 bilhões (32%), o setor sucroenergético, com US$ 806 milhões (10%), o processamento de soja e milho, com US$ 561 milhões (7%), e a mineração, com US$ 437 milhões (6%).

A China permanece como principal destino da indústria sul-mato-grossense, com US$ 2,63 bilhões em compras, seguida por Estados Unidos, Países Baixos, Itália e Uruguai.

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