Recursos do fundo priorizam setores produtivos, enquanto comércio varejista enfrenta juros mais elevados e não é contemplado por benefícios fiscais.
Da Redação

O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste reservou R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul em 2026, volume destinado a financiar investimentos produtivos e impulsionar o desenvolvimento econômico regional. A definição dos recursos reforça o papel do fundo como principal instrumento de crédito de longo prazo para atividades estratégicas no estado, especialmente nos segmentos ligados ao agronegócio, indústria, infraestrutura e serviços considerados prioritários.
Do total previsto, a maior parcela segue direcionada a projetos de expansão, modernização e inovação, com linhas de financiamento que oferecem prazos mais longos e taxas de juros abaixo das praticadas no mercado. O objetivo é estimular a geração de emprego, renda e aumento da competitividade da economia sul-mato-grossense, alinhando o crédito às diretrizes de desenvolvimento regional estabelecidas para o Centro-Oeste.
Apesar do volume expressivo, o comércio varejista continua à margem dos principais incentivos fiscais e financeiros vinculados ao FCO. O setor, que responde por parcela significativa dos empregos urbanos no estado, enfrenta condições mais restritivas de acesso ao crédito, com juros mais altos e menor participação nas políticas de fomento, o que limita a capacidade de investimento e expansão das empresas.
Na prática, empresários do varejo acabam recorrendo a linhas convencionais do sistema financeiro, com custos mais elevados, enquanto setores enquadrados como produtivos contam com condições diferenciadas. A situação reforça um desequilíbrio histórico na política de crédito, que prioriza atividades de base produtiva, mas deixa de fora segmentos fortemente impactados pelo consumo interno e pelas oscilações da economia.
O cenário para 2026 mantém, portanto, um contraste entre a robustez dos recursos disponíveis para investimentos estruturantes e as dificuldades enfrentadas pelo varejo, que segue pressionado por custos financeiros mais altos e pela ausência de incentivos fiscais específicos. A expectativa do setor é que o debate sobre a ampliação do acesso às linhas de fomento avance ao longo do ano, considerando o peso do comércio na dinâmica econômica dos municípios de Mato Grosso do Sul.





