Equipamento instalado no fim de abril passa a registrar dados em tempo real e reforça prevenção a incêndios.
Da Redação

Uma nova estação hidrometeorológica instalada no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense passa a operar com monitoramento em tempo real de dados climáticos e do pulso de inundação do bioma. Inaugurado no fim de abril, o equipamento é considerado um avanço na gestão ambiental da unidade, especialmente diante do aumento do risco de incêndios florestais em 2026.
A estrutura foi implantada pela organização Ecoa, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e apoio de instituições internacionais, em uma área estratégica na confluência dos rios Paraguai e Cuiabá-São Lourenço. Até então, o parque dependia de dados externos, sem cobertura específica para essa região.
O equipamento reúne dois tipos de monitoramento. No campo climático, registra temperatura, umidade, chuva, pressão atmosférica, além da velocidade e direção do vento. Já na parte hidrológica, acompanha o nível dos rios e as variações do ciclo de cheias e secas, fundamentais para a dinâmica do Pantanal.
Os dados são automatizados e podem ser acessados em tempo real, permitindo respostas mais rápidas em situações críticas, como o combate a incêndios. A ausência dessas informações era considerada uma lacuna histórica na gestão da unidade de conservação.
De acordo com a chefia do parque, a localização da estação é estratégica para entender o comportamento do pulso de inundação e sua relação com a biodiversidade local, incluindo fauna, peixes e processos de regeneração da vegetação.
A instalação ocorre em um momento de alerta climático. Projeções internacionais indicam a possibilidade de um novo evento de El Niño ao longo de 2026, com tendência de aumento das temperaturas, irregularidade nas chuvas e maior risco de queimadas no Pantanal.
Nesse contexto, a nova estação deve contribuir não apenas para o monitoramento, mas também para ações preventivas, oferecendo dados essenciais para tomada de decisão em campo, como direção do vento e condições atmosféricas durante operações de combate ao fogo.
A iniciativa integra um conjunto de ações desenvolvidas na região, que incluem apoio a brigadas comunitárias, fornecimento de equipamentos e fortalecimento da gestão ambiental do parque.
Criado em 1981, o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense abrange cerca de 182 mil hectares e é reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade. A unidade protege espécies como onça-pintada, ariranha e cervo-do-pantanal, além de desempenhar papel central na manutenção do equilíbrio ecológico do bioma.





