Especialistas recomendam avaliar o risco climático de cada propriedade antes de antecipar a comercialização e contratar seguro rural.
Da Redação

A possibilidade de impactos do El Niño sobre a produção agrícola brasileira exige que produtores revisem decisões de comercialização, fluxo de caixa e proteção da safra. Os efeitos do fenômeno variam entre regiões, por isso a exposição ao risco deve ser avaliada em cada propriedade, segundo especialistas ouvidos no videocast Papo Seguro, promovido pelo Banco do Brasil e pela BB Seguros.
Para Alexandre Mendonça de Barros, especialista em economia e mercado do agronegócio, uma eventual alta nos preços pode representar uma oportunidade para garantir parte da margem. Antecipar a venda de um volume elevado, porém, aumenta o risco de o produtor não conseguir entregar o que negociou caso haja quebra de safra. A orientação é definir as vendas gradualmente, considerando custos, dívidas e condições climáticas da área.
O planejamento também depende de conhecer o fluxo de caixa. Sem esses dados, o produtor tem menos clareza sobre a margem necessária para manter a atividade e sobre o volume que pode comercializar com segurança.
Outra decisão é verificar se o seguro rural corresponde aos riscos da propriedade. Segundo Paulo Hora, superintendente executivo de Resseguros e Agro da Brasilseg, o seguro pode ajudar a preservar a renda e o fluxo de caixa diante de perdas que o manejo e o planejamento não conseguem evitar. Antes da contratação, o produtor deve conferir os eventos cobertos, o valor segurado e as condições de indenização.
Hora também destaca a importância de manter informações sobre produtividade, características da área e práticas de manejo. Esses dados permitem avaliar o risco de forma mais individualizada e escolher uma proteção adequada ao sistema produtivo.
No debate, Alexandre apresentou um cenário hipotético, baseado em condições semelhantes às observadas em 2015, no qual a perda brasileira de soja poderia chegar a 12 milhões de toneladas. O número é uma estimativa condicional, não uma previsão de perda para a próxima safra.
Para produtores de Mato Grosso do Sul, as recomendações servem como roteiro de revisão do planejamento, mas o material divulgado não apresenta projeções específicas de perdas ou de efeitos do El Niño no Estado.





