Passeios reúnem navegação, observação de animais, afroturismo, gastronomia e visitas ao patrimônio.
Da Redação

Conhecida como um dos principais destinos de pesca esportiva do Pantanal, Corumbá também oferece experiências que passam pela observação da vida selvagem, navegação pelo Rio Paraguai, turismo histórico, gastronomia, cultura afro-brasileira e contato com comunidades tradicionais.
Maior município em extensão territorial de Mato Grosso do Sul, a Capital do Pantanal reúne casarões centenários, manifestações populares, paisagens naturais e roteiros que conduzem o visitante às águas cristalinas do Paraguai-Mirim, à Serra do Amolar, à Estrada Parque Pantanal e às áreas frequentadas pela onça-pintada.
A própria área urbana funciona como um museu a céu aberto. Fundada em 1778, Corumbá preserva construções, ruas e referências ligadas à ocupação da fronteira, à navegação pelo Rio Paraguai e à Guerra do Paraguai.
A presença negra também ocupa um lugar central na história e na identidade da cidade. Mais de 73% da população se declara preta ou parda, segundo dados do Censo do IBGE. Essa herança está presente na música, na religiosidade, na literatura e em manifestações como o Banho de São João.
A gastronomia completa a experiência com influências das fronteiras com Bolívia e Paraguai, além de pratos ligados à rotina das comitivas pantaneiras, como o quebra-torto.
Rio Paraguai abre caminho para diferentes experiências
No Porto Geral, o visitante encontra opções para explorar o Rio Paraguai de caiaque, canoa havaiana e prancha de stand-up paddle. A Pantanal Paddle oferece passeios guiados e aluguel de equipamentos, com percursos adaptados ao tempo e ao preparo de cada turista.
A operadora também realiza expedições em barcos motorizados até os aquários naturais do Paraguai-Mirim, a cerca de 160 quilômetros da área urbana. O roteiro inclui paradas para banho e flutuação em baías e corixos de águas cristalinas, além do contato com a fauna, a flora e comunidades tradicionais.
Outra opção são os passeios realizados pelo Expresso Zé Leôncio. A embarcação é pilotada por Luceni Alves, conhecida como Lu, que atua há 28 anos no ambiente pantaneiro e também apresenta aos turistas aspectos históricos da cidade.
Durante o trajeto pela orla, ela conta histórias do Forte Junqueira, do Casario do Porto e da Ladeira Cunha e Cruz, associada à retomada de Corumbá durante a Guerra do Paraguai, em 1867.
A operadora também promove safáris noturnos no Canal Tamengo, na fronteira com a Bolívia, para a observação de animais.
Casario, fortes e observação de animais
Os passeios culturais pelo centro histórico podem ser feitos a pé ou de carro. Os roteiros incluem pontos como a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, o Casario do Porto, a Casa do Artesão, o Muhpan (Museu de História do Pantanal), o Memorial do Homem Pantaneiro e o mirante do Cristo Rei do Pantanal.
A LR Travel Experience organiza circuitos com visita aos prédios históricos e degustação de saltenha. Também oferece passeios pela Estrada Parque Pantanal, com cavalgada e almoço pantaneiro, além de viagens ao Paraguai-Mirim, ao Forte Coimbra e à Serra do Amolar.
Para os interessados na observação de aves e na fotografia da vida selvagem, a Icterus Ecoturismo realiza passeios fluviais, trilhas interpretativas, safáris fotográficos e expedições acompanhadas por guias especializados.
A empresa, fundada pelos biólogos Gabriel Oliveira e Rafael Souza, lidera um trabalho de monitoramento da harpia, também conhecida como gavião-real. A presença da espécie foi registrada durante uma expedição em 2023.
Os roteiros também incluem focagens noturnas para localizar corujas, mamíferos e outros animais, além de excursões voltadas à observação de espécies raras e viagens à Serra do Amolar.
Caminhos da cultura afro-brasileira
A história negra de Corumbá pode ser conhecida por meio de roteiros que passam por comunidades quilombolas, terreiros de umbanda e locais relacionados à religiosidade e à produção cultural afro-brasileira.
A operadora Bela Oya Pantanal criou um circuito dedicado a essa herança. A experiência conecta o visitante a personagens como o poeta Lobivar Matos e Mãe Cacilda, uma das precursoras da umbanda no Centro-Oeste.
Os passeios incluem vivências em terreiros ao som de atabaques, visitas a comunidades e participação em eventos religiosos, entre eles o Banho de São João, reconhecido pela combinação de fé, cultura e sincretismo.
Sossego na Baía do Castelo
Para quem busca tranquilidade, pesca esportiva e contato mais prolongado com a natureza, uma das opções é a Baía do Castelo, localizada a cerca de 90 quilômetros da área urbana e acessível por barco.
Às margens da baía, a pousada Sol do Pantanal oferece 21 leitos, estrutura para pesca, trilhas e passeios fluviais. Os roteiros incluem paradas para contemplação do pôr do sol e viagens ao Paraguai-Mirim.
“Acordar de manhãzinha ouvindo os sons da natureza, o cantar dos pássaros e o cheiro de mato é uma terapia”, resume a gerente da pousada, Lisianne Gomes.
Como chegar
Corumbá está a aproximadamente 420 quilômetros de Campo Grande, com acesso pela BR-262. Para quem viaja de carro, a Estrada Parque Pantanal é uma alternativa para conhecer a fauna e as paisagens da região antes de chegar à cidade.
A distância entre a área urbana de Corumbá e os acessos aos atrativos da Estrada Parque é de aproximadamente 120 quilômetros. Como parte dos roteiros depende das condições dos rios, das estradas e do clima, a recomendação é consultar previamente as operadoras e fazer o agendamento dos passeios.





