Reajuste atinge 74 municípios e terá impacto futuro com diferimento de R$ 21 milhões.
Da Redação

A conta de luz vai subir em Mato Grosso do Sul e pesar mais no bolso do consumidor em 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou o reajuste tarifário da Energisa MS com efeito médio de 12,11%, índice que atinge diretamente os 74 municípios atendidos pela concessionária.
O aumento será de 12,39% para consumidores de alta tensão, como indústrias, e de 11,98% para baixa tensão, caso de residências e pequenos comércios. Mesmo após revisão para baixo, o reajuste segue elevado e bem acima do aplicado em 2025.
A decisão final reduziu o índice médio inicialmente proposto, que era de 12,61%. A queda de meio ponto percentual foi possível após a adoção do diferimento tarifário, mecanismo que permite adiar parte do impacto imediato do reajuste.
Na prática, a medida suaviza o aumento no curto prazo, mas transfere o custo para os próximos anos. O valor diferido, estimado em R$ 21 milhões, será corrigido pela taxa Selic e incorporado às tarifas a partir do ciclo de 2027.
A revisão dos índices ocorreu após solicitação do Ministério de Minas e Energia, que pediu à Aneel a análise de alternativas para reduzir o impacto sobre a população. O processo também contou com a concordância da Energisa MS, condição necessária para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.
Além disso, a concessionária solicitou que seja considerada no próximo reajuste a diferença gerada pelo período em que as novas tarifas ainda não estavam em vigor, o que pode ampliar a pressão tarifária futura.
A análise técnica da Aneel apontou que o principal fator de alta nas tarifas está nos encargos setoriais, especialmente os ligados à Conta de Desenvolvimento Energético, que concentram políticas públicas e subsídios rateados entre os consumidores.
O Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa MS (Concen-MS), que representa cerca de 1,17 milhão de usuários, acompanhou o processo e manifestou preocupação com os efeitos acumulados do reajuste.
Segundo o Conselho, o diferimento reduz o impacto imediato, mas cria um passivo tarifário que tende a pressionar as contas nos próximos ciclos. A avaliação é que, mantidas as condições atuais, o acúmulo desses valores, somado a encargos e custos de transmissão, pode resultar em um novo aumento relevante em 2027.
A entidade também alerta que o adiamento de custos com incidência de juros pode comprometer o princípio da modicidade tarifária no médio prazo, afetando diretamente a capacidade de pagamento dos consumidores.
Diante desse cenário, o Concen-MS defende uma revisão estrutural da composição das tarifas, especialmente dos encargos relacionados a políticas públicas, como os subsídios à micro e minigeração distribuída.
Para a presidente do Conselho, Rosimeire Costa, o momento exige cautela.
“É fundamental que o processo tarifário considere tanto a sustentabilidade do setor quanto os efeitos diretos sobre o consumidor. As decisões precisam ser avaliadas com responsabilidade, especialmente em relação aos impactos futuros que podem recair sobre a população”, afirmou.
A Aneel também fixou as tarifas de uso dos sistemas de distribuição e de energia elétrica, além dos valores de receita anual relacionados às instalações de transmissão de uso exclusivo da concessionária.





