Aral Moreira e Sete Quedas, no sul do estado, já superam 40% de área colhida; safra deve alcançar 15,2 milhões de toneladas.
Anderson Viegas

A colheita da safra 2025/2026 de soja em Mato Grosso do Sul já alcança 14,9% da área cultivada, conforme dados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA-MS), tabulados pelo Departamento Técnico da Famasul e divulgados no boletim Casa Rural – Agricultura. Os trabalhos estão mais avançados na região sul do estado, com média de 19%, e têm como destaques os municípios de Aral Moreira e Sete Quedas, que já atingiram 40% da área colhida.
Segundo o levantamento, até 13 de fevereiro de 2026, aproximadamente 714 mil hectares já haviam sido colhidos. O desempenho da região sul supera as demais regiões, enquanto o centro registra média de 10,3% e o norte, 5,9%, refletindo as diferenças climáticas e de desenvolvimento das lavouras ao longo do ciclo.
A safra atual deve atingir produção estimada de 15,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare. O volume representa incremento de 2% em relação ao ciclo anterior, impulsionado principalmente pela expansão da área cultivada, que cresceu 6% e alcançou 4,8 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul.
Apesar das perspectivas positivas, os técnicos do SIGA apontam que as condições climáticas impactaram parte significativa das lavouras. Veranicos severos, especialmente na região sul, afetaram mais de 640 mil hectares, com períodos de estiagem superiores a 20 dias em algumas localidades. Municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai estão entre os mais prejudicados, com reflexos no desenvolvimento das plantas e potencial produtivo.
O monitoramento também mostra a situação atual das lavouras. Cerca de 63,0% da área, equivalente a 3,02 milhões de hectares, está classificada como boa, indicando plantas com desenvolvimento adequado e potencial produtivo satisfatório. Outras 23,2% das áreas, ou 1,11 milhão de hectares, apresentam condição regular, com ocorrência de alguns fatores limitantes. Já 13,8%, o equivalente a 662,8 mil hectares, estão classificadas como ruins, refletindo problemas como falhas no estande, estresse hídrico e incidência de pragas e doenças.
A colheita começou na terceira semana de janeiro, favorecida inicialmente por condições climáticas equilibradas e pelo plantio concluído em tempo inferior à média histórica. No entanto, o cenário mudou ao longo de janeiro, quando o período de estiagem e as altas temperaturas provocaram deterioração das condições em parte das lavouras.
Outro indicador acompanhado pelo setor é o ritmo antecipado da colheita. De acordo com o SIGA-MS, os trabalhos seguem dentro da janela esperada, com avanço consistente desde o início das operações e destaque para as regiões que tiveram plantio antecipado e melhores condições de desenvolvimento inicial.
O boletim Casa Rural – Agricultura é elaborado com base em dados do SIGA-MS, iniciativa conjunta da Famasul, Aprosoja/MS e Semadesc, do Governo de Mato Grosso do Sul, que monitora o desenvolvimento das principais culturas agrícolas no estado.





