Produto lidera exportações do Estado aos americanos e permanece entre os itens que devem ser sobretaxados a partir de 6 de agosto.
Da Redação

A carne bovina permanece entre os produtos que serão atingidos pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras. O decreto foi assinado na tarde de quarta-feira, 30 de julho, pelo presidente Donald Trump e entra em vigor no próximo dia 6 de agosto. A medida preocupa o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, que em 2024 exportou US$ 215,8 milhões em carne bovina ao mercado norte-americano, o equivalente a 32,2% do total comercializado com o país.
Ficaram de fora da nova tarifa produtos como celulose e ferro-gusa, que somaram juntos US$ 337 milhões em exportações no mesmo período, representando mais da metade da pauta sul-mato-grossense com os EUA. Também foram isentados itens como madeira, aço, cobre, silício, carvão, alumina e derivados de petróleo. A medida prevê ainda a exclusão de mercadorias que já estiverem em trânsito e cheguem aos Estados Unidos até 5 de outubro.
Durante coletiva realizada nesta quinta-feira, 31 de julho, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, avaliou os impactos da decisão e defendeu estratégias para abertura de novos mercados. “A carne ficou de fora da flexibilização e isso afeta diretamente nossas plantas frigoríficas, grandes e pequenas. Já estamos articulando uma reunião com o sindicato dos produtores para definir ações de diversificação e acesso a novos destinos, como o Japão, que inicia as importações a partir de novembro”, afirmou.
Longen também destacou o papel da senadora Tereza Cristina e do senador Nelsinho Trad na missão que foi a Washington discutir alternativas ao tarifaço com autoridades e empresários norte-americanos. Segundo ele, a atuação da bancada sul-mato-grossense contribuiu para a exclusão da celulose e do ferro-gusa da lista de produtos tarifados. “A ida ao mercado americano foi de grande valia. Nossos senadores marcaram posição clara de que a medida representa risco tanto para as empresas brasileiras quanto para as americanas”, disse.
O governador Eduardo Riedel reforçou que a exclusão da carne da lista de isenções evidencia a importância de ampliar a presença internacional do Estado. “Não podemos ter vínculo exclusivo de produtos relevantes com um ou dois países. É necessário buscar alternativas, abrir mercados e garantir que nossas empresas tenham acesso. O governo atua para facilitar esse processo”, declarou.
Além da carne, setores como a piscicultura também devem ser afetados. Atualmente, cerca de 90% da produção estadual é destinada aos Estados Unidos. “Essa produção não pode ser redirecionada de um dia para o outro. Por isso, a missão internacional em curso é estratégica para apresentar o que Mato Grosso do Sul tem a oferecer e buscar novos canais comerciais”, acrescentou Longen.
A Missão Ásia, que começa nesta semana, inclui compromissos na Índia, Japão e Singapura, com agendas voltadas à atração de investimentos, ampliação de mercados e fortalecimento das exportações sul-mato-grossenses, especialmente nos setores impactados pela política tarifária americana.