Adecoagro inicia testes do primeiro centro de mineração de criptomoedas do Estado com energia da biomassa.
Da Redação

Depois de transformar cana-de-açúcar em açúcar, etanol e bioeletricidade, Mato Grosso do Sul dá mais um passo na diversificação da cadeia sucroenergética. A partir desta quarta-feira (1º), a energia gerada a partir da biomassa passa a abastecer o primeiro datacenter de mineração de bitcoin do Estado, instalado na usina da Adecoagro, em Ivinhema.
A unidade entra em operação em fase de testes com 1.280 equipamentos especializados na mineração de bitcoin, marcando a estreia de Mato Grosso do Sul em uma atividade que une agronegócio, geração de energia renovável e infraestrutura digital. O projeto é desenvolvido pela Tether, uma das maiores empresas globais do mercado de ativos digitais, controladora da Adecoagro desde 2025.
As máquinas instaladas no datacenter são do tipo ASIC (Application-Specific Integrated Circuit), desenvolvidas exclusivamente para executar os cálculos criptográficos que validam transações na rede Bitcoin. Em conjunto, elas operam continuamente, convertendo energia elétrica em poder computacional para disputar a criação de novos blocos da blockchain e receber bitcoins como recompensa.
Na primeira etapa, a operação consumirá cerca de 10 megawatts (MW) de energia elétrica produzida pela própria usina a partir da queima do bagaço da cana. A unidade de Ivinhema possui potência outorgada de 120 MW, permitindo direcionar parte da bioeletricidade para uma atividade de alto valor agregado sem depender da rede convencional.
Mais do que produzir criptomoedas, o empreendimento representa uma nova estratégia para aproveitamento da energia renovável gerada pelo setor sucroenergético. Em vez de comercializar integralmente o excedente elétrico, a companhia passa a utilizar parte dessa produção em uma atividade intensiva em processamento de dados, cuja principal matéria-prima é justamente a energia.
A expectativa é que, quando atingir estabilidade operacional, o datacenter produza cerca de 100 bitcoins por ano. Pelas cotações atuais da criptomoeda, o potencial de receita supera US$ 5,9 milhões anuais, embora o resultado dependa das oscilações do mercado e da dificuldade de mineração da rede.
O projeto também foi concebido para crescer. A estrutura poderá alcançar 40 MW de capacidade instalada, quadruplicando a potência atualmente utilizada e ampliando o parque de equipamentos conforme a disponibilidade de energia e as condições econômicas da atividade.
A operação será administrada pelo Mining OS, plataforma desenvolvida pela própria Tether para gerenciamento remoto de fazendas de mineração em larga escala. O sistema monitora milhares de equipamentos simultaneamente, acompanhando indicadores como consumo de energia, temperatura, desempenho e eventuais falhas, permitindo otimizar a eficiência operacional.
A entrada da Tether no setor sucroenergético ocorreu após a aquisição do controle da Adecoagro, em 2025. A empresa de ativos digitais ampliou sua participação para aproximadamente 70% do capital da companhia agroindustrial, incorporando à sua estratégia global projetos que associam mineração de bitcoin à oferta de energia renovável.
O empreendimento de Ivinhema acompanha uma tendência observada em diferentes países, onde operações de mineração de criptomoedas buscam se instalar próximas a fontes limpas e competitivas de energia. Nesse contexto, a bioeletricidade produzida pela cana passa a integrar uma cadeia econômica que extrapola a produção de alimentos e combustíveis, consolidando Mato Grosso do Sul como um ambiente para novos modelos de negócios que conectam agro, energia e tecnologia.




